Dólar fecha o dia cotado a R$ 4,60
Fabrizio Gueratto
Dólar fecha o dia cotado a R$ 4,60

O recente rali dos mercados financeiros que levou o dólar a cair a R$ 4,60 nesta segunda-feira (4) é turbinado por um ganho com o diferencial de juros no Brasil – ou seja, uma taxa aqui bem acima da média mundial – que é o maior desde 2009 e muito superior ao obtido em outros países emergentes. 

Levantamento feito pela Bloomberg mostra que o retorno nos investimentos de carry trade – no qual o investidor lucra ao aplicar numa moeda que paga juros maiores em relação à divisa na qual ele captou seus recursos – chegou a 24% no caso do real este ano. Foi assim o maior ganho trimestral neste tipo de operação, lastreada em dólares, em 13 anos. 

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O lucro com o real foi ainda mais de mais do que o dobro do obtido pelos investidores globais com o rand sul-africano, segundo no ranking de maiores ganhos, que ofereceu retorno de pouco mais de 10% neste trimestre. 

O peso mexicano, terceiro na lista, aparece proporcionando lucro de pouco mais de 5%.

Maior alta de juros do mundo

Com a exceção da Rússia, nenhum outro país do mundo elevou tanto sua taxa de juros desde o início do ano passado. O Banco Central do Brasil subiu a taxa básica Selic em nada menos do que 9,75 ponto percentual, saindo de 2% ao ano em janeiro de 2021 para 11,75% agora. A estimativa do mercado é que os juros voltem a subir em maio.  

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E, apesar de o custo para captar recursos estar subindo no mundo inteiro, com vários países elevando juros, o diferencial no Brasil segue de longe o maior do mundo. A taxa básica aqui supera em mais de 11 pontos percentuais o juro americano. Na média da América Latina, o diferencial de juros é de 6 pontos percentuais. Na Ásia, de 1 ponto percentual. 

Com a vantagem, destacam analistas, de o Brasil estar a mais de 9 mil quilômetros de distância da Guerra na Ucrânia e, diferentemente de países emergentes da Europa, ter poucos laços comerciais com a Rússia.

"Para onde mais o dinheiro pode ir?", resume Danny Fang, estrategista do Banco Bilbao Vizcaya Argentaria em Nova York, um dos analistas que mais acertou as previsões para a cotação do real este ano.  

"Os bônus brasileiros e o real estão se destacando muito além do tradicional “pacote” de mercados emergentes", avalia Joana Freira, gestora no Eurizon Capital em Londres.   

O Brasil também tem se beneficiado de um boom inédito nos preços das commodities por causa da guerra na Ucrânia. Matérias-primas como minério de ferro, petróleo, soja e açúcar respondem por 70% das exportações brasileiras. No último trimestre, o índice de variação de preços de commodities compilado pela Bloomberg subiu 25%, o maior salto desde 1990. 

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