Banco Central
Redação 1Bilhão Educação Financeira
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O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, disse neste domingo (27) que a valorização do real frente ao dólar tem auxiliado no combate à inflação recentemente.

Em entrevista para a Band, Campos Neto explicou que com exceção do petróleo, a queda do preço do dólar tem conseguido cancelar o efeito da alta no preço das commodities para a inflação brasileira.

— Sem dúvida tem ajudado, porque se commodities tá subindo e você exporta uma coisa que tem um preço maior e sua moeda tá fazendo a força ao contrário, fazendo com que isso não gere inflação local, o conjunto das forças é positivo — disse.

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O real é a moeda que mais se valorizou no ano e para explicar o movimento, Campos Neto citou quatro fatores principais. O primeiro são os números fiscais que estão melhores, segundo o presidente do BC. Em janeiro, a arrecadação foi 18,30% maior do que no mesmo mês do ano passado.

O segundo fator foi o movimento do Banco Central de alta nos juros que aconteceu antes de muitos outros países no mundo. Taxas de juros mais altas atraem recursos e Campos Neto ressaltou que trouxe “credibilidade” para o país.

Em terceiro, a alta nas commodities que beneficia as exportações brasileiras e, por último, Campos Neto vê um entendimento mundial de que empresas do Brasil enfrentam melhor um cenário de inflação alta, que está ocorrendo no mundo todo.

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— Esses fatores vão persistir ou são temporários? Acho que tem alguns fatores que as pessoas começam a entender que são fatores mais persistentes, que de fato alguma coisa nesta realidade está mudando e a gente precisa observar. A coisa mais difícil é fazer a previsão de câmbio  — disse. 

Selic em 12,75%

Na entrevista, o presidente do BC voltou a dizer que acredita que o patamar de juros em 12,75% deve ser suficiente para entregar a inflação de 2023 na meta de 3,25%.

— A gente fez um ajuste bastante grande que é suficiente ao nosso entender para levar a inflação para meta no horizonte relevante e em algum momento é interessante parar e observar os efeitos — apontou.

Campos Neto ressaltou que a comunicação do Banco Central deixou uma possibilidade de fazer novas altas na taxa básica de juros, mas que esse não é o cenário mais provável.

— Obviamente como a gente tem muita incerteza na ponta pelo efeito da crise na Europa, da guerra, a gente deixou a janela aberta. Se tiver um novo choque oriundo da guerra que não está nos nossos cenários a gente pode ter que fazer algo adicional, mas o entendimento hoje que 12,75% seria capaz de levar a inflação no horizonte relevante — disse.

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