Arthur Aguiar
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Arthur Aguiar

Neste ano, o público escolherá novo brother ou nova sister pra ganhar R$ 1,5 milhão por sua participação de destaque no “Big Brother Brasil”. O presente, que foi reajustado duas vezes ao longo dos 20 anos do programa, se investido de maneira estratégica, pode mudar a vida dos participantes.

Mas, desde a última mudança — que aconteceu há 12 anos — na recompensa oferecida aos vencedores do reality show, o poder de compra deles com o agrado caiu, e muito. De 2010 para cá, o ajuste real pelo IPCA do montante seria de 104%. Assim, o prêmio deveria ser, hoje, de cerca de R$ 3 milhões, se reajustado pela inflação no período.

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Com o acúmulo da inflação ano após ano, o prêmio é considerado defasado mesmo em relação aos R$ 500 mil embolsados pelo primeiro campeão do “BBB”, Kleber Bambam. Para equivaler à quantia recebida pelo dançarino, a recompensa atual deveria ser de R$ 1,7 milhão, já que o reajuste real pelo IPCA seria de 240%, calcula Claudio de Moraes, professor de Macrofinanças e Banking do Mestrado em Economia e Gestão Empresarial da Universidade Candido Mendes (UCAM):

"A inflação ainda é um dos fatores que mais atrapalha o desenvolvimento econômico do Brasil. Mesmo que não atinja os níveis anteriores ao plano real, nesses mais de 20 anos, desde o surgimento do “BBB”, a inflação cresceu 240%. Pra entender como isso funciona na prática, basta multiplicar o valor de qualquer bem por 3,4. Por exemplo, um carro que em 2001 valia R$ 20 mil, corrigido pela inflação valeria R$ 68 mil", explica Claudio.

Em 2005, quando o prêmio foi reajustado pela primeira vez, houve aumento real. O ajuste pelo IPCA seria de 33%, ou seja, para o vencedor da edição ter o mesmo poder de compra que Bambam ele precisaria receber R$ 665 mil, mas ganhou R$ 1 milhão. Em 2010, o reality show subiu novamente a recompensa oferecida, para a quantia praticada até hoje.

Para continuar com o mesmo valor da estreia, o ajuste deveria ser de 68%, para R$ 840 mil, mas foi para R$ 1,5 milhão. Os cálculos feitos para o GLOBO são de Claudio de Moraes.

Influência digital é bônus do programa

Fora do programa, os brasileiros também são desafiados pela inflação a fazer o dinheiro render. Mas, em 20 anos, ao menos o salário mínimo no país teve aumento real, aponta Gustavo Moreira, coordenador do MBA de finanças do Ibmec RJ:

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"Se a gente olha o salário mínimo, teve um reajuste acima da inflação bastante grande. Ele é 80% maior do que o salário de 20 anos atrás, já corrigido pela inflação."

Acima, observe a relação entre os prêmios e o salário mínimo de cada época, calculadas por Gustavo Moreira.

Os campeões da experiência na casa mais vigiada do Brasil, no entanto, têm como aliada no orçamento a internet. Aliás, nem precisa sair vencedor do reality show para se dar bem nas redes, assumindo o papel de influenciadores digitais e fechando contratos de publicidade.

"O “BBB” é uma plataforma gigante, que traz um nível de exposição muito grande. E essa exposição não é só pra pessoa, mas também pras conversas que acontecem ali dentro. Um ex-BBB traz com ele essa atenção e a participação genuína em uma conversa cultural que acontece espontaneamente. E isso é muito poderoso, especialmente pras marcas. A gente não pode esquecer que publicidade é ruído e você conseguir entrar numa conversa ou num feed sem parecer forçado, de um jeito leve e natural, é um acerto muito grande. Isso faz do ex-BBB um atrativo forte pro marketing de influência", explica Fernanda Cardoso, especialista em Influência e diretora de criação da Indômita.

E ela conclui com um alerta:

"O grande lance é como se manter relevantes no pós, sem a plataforma “BBB”. Normalmente quem não tem DNA de criar conteúdo, de produzir coisas, acaba perdendo a relevância cedo."

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