B3 começou a semana em baixa devido queda das ações da Petrobras
Lorena Amaro
B3 começou a semana em baixa devido queda das ações da Petrobras

A Bolsa fechou em forte queda acompanhando o sentimento de maior aversão ao risco nos mercados globais e pressionada pelo desempenho negativo dos papéis da Petrobras após falas do presidente Jair Bolsonaro criticando a política de preços da estatal, nesta segunda-feira (7).

No exterior, a possibilidade de sanções ao petróleo e gás russos fez com que o preço da commodity disparasse e provocou a queda dos índices acionários na Europa e nos Estados Unidos.

O Ibovespa cedeu 2,52%, aos 111.593 pontos. Entre as ações, as ordinárias da petroleira (PETR3, com direito a voto) cederam 7,65%, negociadas a R$ 34,14, e as preferenciais (PETR4, sem direito a voto) cederam 7,10%, cotadas a R$ 31,80.

Em um pregão volátil, o dólar fechou com leve alta de 0,02%, negociado a R$ 5,0787. O patamar alto dos juros locais ajudou o real a apresentar um desempenho melhor que outras divisas, em um dia de valorização global da moeda americana.

O mercado de juros voltou a ter um pregão de forte estresse, com a alta do petróleo no exterior e em meio às discussões internas para frear o avanço dos combustíveis, o que eleva a percepção de risco fiscal. Com isso, toda a curva de juros ultrapassou o patamar dos 12%.

No fim do pregão regular, a taxa do contrato futuro de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2023 passou de 12,99% no ajuste anterior para 13,10% e a do DI janeiro de 2024 avançou de 12,60% para 12,835%.

Já a taxa do DI janeiro de 2025 subiu de 12% para 12,265% e a do DI janeiro de 2027 teve alta para 12,06% ante os 11,71% da leitura anterior.

Pressão sobre combustíveis

Na cena interna, os investidores ficaram atentos ao posicionamento do governo em relação ao aumento dos preços dos combustíveis com a alta do petróleo.

No Congresso, há várias propostas para tentar conter os impactos, como aquela que muda o cálculo na cobrança do ICMS por meio de projeto de lei.

Nesta segunda-feira, o presidente Bolsonaro afirmou que a paridade internacional do preço do petróleo é resultado de uma "legislação errada" e "não pode continuar acontecendo". Ele disse que haverá uma reunião com os ministérios da Economia e da Minas e Energia e a Petrobras para tratar do preços.

O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, confirmou ao GLOBO, que o governo avalia a possibilidade de adotar um subsídio temporário para segurar o preço dos combustíveis, semelhante ao adotado em 2018, quando o governo subsidiou o preço do diesel para acabar com a greve dos caminhoneiros.

Uma possibilidade é que esse subsídio seja bancado com dividendos da Petrobras (parte do lucro transferida à União) e também com receitas extras de royalties e participações especiais.

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Em relatório, analistas do Goldman Sachs avaliam esse programa de subsídio como positivo, caso seja aprovado, pois removeria, no curto prazo, o “risco de interrupção da rentabilidade da empresa, uma vez que a Petrobras seria reembolsada pela diferença entre os preços dos combustíveis domésticos e internacionais”.

Para o banco, os preços do diesel e da gasolina estão em uma média de 32% abaixo dos níveis de paridade internacional. O Goldman mantém o raiting de compra para a empresa, destacando que o rendimento de dividendos compensa os riscos eleitorais.

Petrobras despenca após fala

Para Nicolas Farto, da Renova Invest, a queda dos papéis no pregão é reflexo direto das falas de Bolsonaro questionando a política de preços da estatal.

"O investidor sabe que há um histórico de intervenção nas políticas de preço da Petrobras e nesse momento de aversão ao risco, é comum eles se desfazerem do papel, até porque as ações da empresa vêm de uma valorização no último mês. A dúvida é que em uma situação mais crítica, eventualmente, possam chegar a uma política de controle de preços. Sabemos que, hoje, existem dispositivos legais que impedem a União de fazer qualquer tipo de controle de preços, mas já vivemos experiências no passado em que esses dispositivos falharam", lembra.

O economista e sócio da BRA, Alexsandro Nishimura, destaca que a combinação de vários fatores geradores de incerteza penalizaram o papel, em um contexto no qual discussões sobre o congelamento temporário de preços ocorrem.

"As falas do presidente sinalizam as intenções do governo. Num momento de elevada aversão a riscos, qualquer ruído se amplifica e ganha contornos maiores. O esforço do governo em derrubar a política de paridade de preços induz ainda mais incertezas quando combinada com a indicação de novos nomes para o Conselho", explica.

As ADRs, que são recibos de ações de empresas negociados no exterior, negociadas em Nasdaq caíram 7,93% no pregão, cotadas a US$ 13,36. No after market, os ativos alternavam altas e baixas.

Nishimura destaca que os efeitos negativos podem prejudicar os próximos pregões.

"Os efeitos de tais medidas têm potencial de afetar os fundamentos que vinham ajudando as ações a subirem recentemente".

Para o analista de Research da Ativa Investimentos, Ilan Arbetman, a queda das ações no dia seguiu o movimento geral de baixas nos papéis devido ao ambiente de maior risco.

Além da Petrobras, outras companhias do setor de petróleo fecharam o dia com quedas. As ordinárias da PetroRio (PRIO3) caíram 2,30% e as da 3RPetroleum (RRRP3), 0,83%.

"Estamos vendo nas bolsas globais, um aumento do prêmio de risco. Isso tem a ver com a articulação entre Estados Unidos e Europa para reduzir a dependência russa. Mas não é possível fazer isso de uma hora para outra, e é muito difícil você cobrir os choques que isso acarretará em uma série de cadeias, inclusive na de petróleo".

Arbetman ressalta que possíveis intervenções por parte do governo estão no radar dos investidores e impedem que o papel acompanhe a tendência positiva para as empresas do setor de petróleo, com a alta do Brent. A Ativa tem recomendação neutra para o papel.

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