Inflação
Agência Brasil
Inflação

A alta do petróleo combinada com uma elevação de preços de alimentos como milho, trigo e soja no mercado internacional vai pressionar a inflação no Brasil e o Banco Central terá que ser mais agressivo na alta de juros para conter essa espiral de aumentos. A avaliação é do economista Sergio Vale, da MB Associados.

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Como a alta do preço do petróleo e alimentos vai impactar o comportamento do Banco Central em relação aos juros?

O mercado espera que a Selic, a taxa básica de juros, termine este ano em 12,25%, mas não seria surpreendente se ela chegar ao final do ano entre 12,50% e 13%. O Banco Central terá que ser mais agressivo. E mesmo que a guerra acabe logo, vamos ter problemas no mercado de energia nos próximos anos. Um novo acordo com o Irã em torno da energia nuclear fica paralisado. Não há possibilidade de expandir a oferta de petróleo, embora a demanda tenda a desacelerar, descomprimindo os preços. As incertezas farão os preços a continuar subindo.

E a inflação deste ano? O que pode acontecer?

Embora a inflação seja um fenômeno mundial, no Brasil ela já está num patamar elevado, de 10,38% em janeiro, considerando os últimos 12 meses, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA). Um choque de petróleo e no preço dos alimentos terá um impacto ainda mais potencializado nos preços de produtos por aqui. A pressão de commodities agrícolas também não é pequena e se dissemina no curto prazo pelo IPCA. Com isso, a inflação oficial pode chegar a 6% este ano.

O Brasil também depende dos fertilizantes russos. Isso tem algum impacto?

O petróleo é o item mais simbólico nesse processo de alta de preços, mas o Brasil depende de fertilizantes russos - e isso também pode ter impactos negativos em nossa agricultura.

Alta de preço de commodities não ajuda as exportações do país?

Sim. O Brasil, que é grande exportador de commodities, também colhe um efeito positivo. Esse cenário beneficia nossa balança comercial.

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