Oi Telefonia
Reprodução/ Época
Oi Telefonia

 Maior operadora de telecomunicações do Brasil, a Vivo defende a compra da Oi em parceria com a Claro e TIM. Em entrevista ao GLOBO, Christian Gebara, presidente da empresa, diz que se uma das três tentasse adquirir sozinha a Oi, o negócio jamais seria aprovado.

 Segundo o executivo, nos próximos meses a Oi continuará a oferecer os serviços, mas os clientes devem passar por migração em um horizonte de até 12 meses. Ele promete oferecer qualidade de serviço superior ao da tele carioca.

Como uma operação que concentra mais de 98% do mercado nas mãos de três empresas pode ser benéfica para o cliente?

Estamos falando de uma empresa em recuperação judicial, que está sendo vendida há muito tempo. Fez um leilão (no fim de 2020) e foi adquirida pelas três grandes empresas do mercado, pois são as três que tinham condição de adquirir clientes, ERBs (antenas) e frequências.

Não tivemos nenhum outro interessado em operar. Era uma empresa que estava constantemente perdendo market share, não comprou frequência para o 4G e não participou do leilão de 5G.

É um mercado onde o quarto player estava a cada dia se tornando mais debilitado. Não tiramos uma grande empresa vencedora do setor. Se você pensar por DDD, vou receber clientes em mercados onde a Vivo é muito fraca e somos o quarto player. E agora, recebendo esses clientes, eu me fortaleço.

E para o cliente final é benéfico, pois ele vai ter três operadoras relevantes e vai poder fazer escolhas. Então, não acho que diminui a competição. O setor hoje não é apenas móvel, fixo ou fibra. É uma conexão com tecnologias integradas, ainda mais com o 5G que pode funcionar como banda larga fixa.

Mas a competição não vai diminuir?

Agora, a Oi se torna uma empresa de fibra (óptica). Se ela seguisse pela recuperação judicial, sem venda de ativos, ela não seria nem (operadora de telefonia) móvel nem fixa. Agora, se consolida como uma empresa de fibra. E criamos um grande competidor de fibra. Por isso, a competitividade do mercado não decresce. Pelo contrário, ela dá uma solução para um desses players se fortalecer.

A Oi já era uma empresa que, há muito tempo, deixava de investir na área móvel. Se um de nós três tivesse comprado a Oi, jamais teria sido aprovado. Com os três, haverá uma distribuição equilibrada de clientes. E as frequências serão distribuídas entre Vivo e TIM, porque a Claro já tinha comprado a Nextel. Essa operação é um marco.

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Quando o negócio deve ser concluído?

Vamos entender os detalhes do voto final. A Oi também tem seus trâmites de segregação de ativos. Acredito que no primeiro semestre. Vamos trabalhar para isso. Estamos trabalhando em como receber esses clientes.

Até lá, a Oi segue oferecendo o serviço. E em um período de até 12 meses, vamos migrar os clientes para nossas bases. E, com as frequências que vamos receber da Oi, vamos conseguir oferecer um serviço superior.

As empresas queriam que as restrições impostas por órgãos reguladores só fossem aplicadas após a conclusão do negócio. Como vê a decisão de antecipar as condicionantes?

Não sei ainda os detalhes finais do voto. Os remédios que foram decididos pela Anatel e pela superintendência técnica do Cade (órgão de defesa da concorrência) pareciam ser remédios fortes e suficientes, como obrigações de MVNO (operadora móvel virtual, que aluga rede de outra empresa e fornece o serviço) e roaming, entre outras.

No conselho do Cade esses remédios foram reforçados, como aluguel de frequência, exploração comercial (da rede) e desligamento de ERBs (antenas). Foram adicionados remédios mais duros em relação a operações similares, como a compra da Nextel, que não teve isso.

Entendo que possa existir uma complexidade maior dessa operação pelo fato de as três empresas serem as compradoras. Mas estamos satisfeitos de poder concluir essa operação.

Qual vai ser o retorno do investimento na Oi?

O retorno desse investimento não é elevado. É uma operação que vai custar R$ 5,5 bilhões. Temos que ver o preço final, pois tem algumas variáveis para considerar. Temos caixa para honrar a compra quando for feito o fechamento. Estamos olhando um país continental, com carência de infraestrutura. No leilão de 5G, o quarto bloco nacional não foi comprado por ninguém.

Se existe real interesse de alguns em investir, deveriam ter comprado o bloco 4 de 5G. E isso não ocorreu, o bloco foi leiloado novamente e divido entre Vivo, Claro e TIM. Temos uma das maiores cargas tributárias, de 40% sobre o preço cobrado. É um mercado de grande investimento. Investimos R$ 9 bilhões por ano no Brasil.

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