Trabalhador entrega carteira de trabalho
Reprodução: ACidade ON
Trabalhador entrega carteira de trabalho

Após quase dois anos do início da pandemia da Covid-19, a retomada insuficiente de 2021 e as perspectivas de baixo crescimento neste ano associadas às incertezas em relação a novas variantes podem prolongar a crise do mercado de trabalho na América Latina e Caribe até 2024.

O alerta foi feito pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), que divulgou novo relatório sobre a situação do emprego na região nesta terça-feira.

A evolução do nível de atividade econômica ao longo de 2021 não foi suficiente para que a região voltasse ao patamar de emprego em que estava antes da pandemia. De acordo com a OIT, foram perdidos cerca de 49,1 milhões de postos de trabalho na região entre 2019 e 2020, e ainda faltam recuperar 4,5 milhões de empregos, a maior parte para mulheres.

O diretor da OIT para a América Latina e Caribe, Vinícius Pinheiro, alerta que uma crise de emprego muito longa é preocupante porque ao gerar desânimo e frustração, há repercussão na estabilidade social:

"O panorama laboral é incerto. A persistência dos contágios da pandemia e a perspectiva de um crescimento econômico medíocre este ano podem prolongar a crise do emprego até 2023 ou 2024", aponta.

Esse freio na recuperação econômica, a aceleração da inflação e menor espaço fiscal são as ameaças à retomada do mercado de trabalho e elevação da renda. No Brasil, por exemplo, o ano de 2021 fechou com geração de 2,7 milhões de postos de trabalho com carteira assinada, mas a renda média do trabalhador caiu no período.

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A OIT cita dados da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) para justificar esse cenário. As projeções apontam que ao final de 2022 mais da metade dos países da região terá um PIB inferior ao de 2019.

O baixo crescimento fará com que a taxa de desemprego tenha uma ligeira redução. A estimativa é de que em 2021, a taxa de desemprego para a região ficou no patamar de 9,6%. Esse valor pode ter uma redução de 0,1 ponto percentual ou até 0,3 p.p., mas ainda será superior ao indicador de 2019, de 8%.

Com isso, a tendência é de que o número de horas trabalhadas em 2022 siga abaixo do registrado em 2019 e que haja concentração na geração de empregos informais.

"O desafio perene para as economias da América Latina e do Caribe é superar uma situação estruturalmente caracterizada pela estagnação e pela desigualdade. Este desafio deve enfrentar a dupla dificuldade implicada por um espaço fiscal reduzido e altos níveis de endividamento", diz o relatório, reforçando que esta não será uma tarefa fácil.

A OIT alerta para a necessidade de retomar ou fortalecer ações para a superação da desigualdade, agravada durante a pandemia.

"Para isso, é fundamental implementar políticas produtivas e trabalhistas que permitam gerar empregos de qualidade. Sua inadequação gera frustração na população e mina a coesão e os próprios fundamentais dos sistemas democráticos", alerta.

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