Nasdaq
Fernanda Capelli
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 A Bolsa de tecnologia Nasdaq fechou janeiro com o pior desempenho para o mês desde 2008, ano da crise econômica global. Outros índices americanos como o Dow Jones e o S&P também fecharam no vermelho, na contramão do mercado acionário brasileiro. Mas chama a atenção o fato de as empresas de tecnologia terem registrado baixas acentuadas, mesmo com expansão dos lucros. Afinal, por que as ações tech caíram tanto? E essa tendência deve continuar?

A queda de 9% da Nasdaq em janeiro é, por um lado, uma correção. Papéis de big techs tiveram um salto em 2021, ainda impulsionados pela pandemia, que acelerou a digitalização.

As ações do Google, por exemplo, saltaram 65% no ano passado, mas recuaram cerca de 7% em janeiro de 2022. Hoje, a empresa divulga seu resultado referente a 2021, e a expectativa é que a receita continue subindo embora em ritmo menor.

Outras gigantes do setor, como Amazon e Facebook, também tiveram que lidar com baixas da Bolsa: seus papéis cederam cerca de 10% e 7%, respectivamente, em janeiro, após fecharem 2021 no azul.

Além de uma natural correção nos preços das ações, a indicação do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de que os juros vão subir a partir de março atinge em cheio as empresas de tecnologia.

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Primeiro porque, com juros mais altos, alguns investidores tendem a migrar para outros investimentos, ficam menos dispostos a pagar caro pelas ações. Os papéis das techs têm preços particularmente altos.

Em segundo lugar, juros mais altos indicam que a economia americana, que avançou fortemente nos últimos meses, tende a perder fôlego, ainda que siga crescendo. E as empresas de tecnologia conseguem atrair muitos investidores com base na promessa de expansão futura.

"Não há nada de errado com os fundamentos das empresas de tecnologia. E as revisões de lucros dessas empresas são fortes se comparados com outros setores. Não será o fim do investimento em empresas tech. O que há de errado com elas é que seu valor de mercado é muito elevado", disse ao site da CNBC Lori Calvasina, chefe de estratégia para EUA da RBC.

Nesta, segunda-feira, a Nasdaq abriu em alta, mas já registrava queda de 1% por volta de 12h, com muitas empresas recuando, um movimento que não deve ser revertido no curto prazo.

Levantamento do Bank of America mostra que, na sexta-feira, 2.648 empresas das 3.682 que têm papéis negociados na Bolsa de tecnologia estavam no vermelho e que o preço das ações de quase metade delas estava mais de 50% abaixo do pico alcançado 52 semanas antes.

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