Mercado imobiliário da China poderá ser afetado com crise da Shimão
Olivia Alonso/iG
Mercado imobiliário da China poderá ser afetado com crise da Shimão

Será que estamos diante de uma nova Evergrande? Um dia depois de a incorporadora imobiliária chinesa Shimao deixar de honrar o pagamento de débitos, a Bolsa de Valores de Xangai suspendeu a negociação de vários títulos do grupo, o que aumentou os temores de que uma crise de caixa se espalhe mais amplamente por todo o combalido setor imobiliário do país.

Em Hong Kong, as ações da Shimao caíram 7% nesta sexta-feira.

De acordo com o jornal britânico Financial Times, as quedas acentuadas dos papéis da incorporadora levaram a suspensão temporária da  classificação de grau de investimento da empresa. Uma das poucas do setor na China ainda recomendada a investidores.

A interrupção das negociações das ações da Shimao na Bolsa chinesa ocorreu após a divulgação de uma carta a investidores pela  China Credit Trust, uma empresa que levantou financiamento fiduciário em nome do grupo, na qual informava que uma das unidades da incorporado havia entrado em default após perder um pagamento de 645 milhões de Rmb (US$ 103 milhões).

Em resposta, a Shimao disse que estava em negociações sobre o pagamento e que o assunto não afetaria suas outras dívidas.

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O setor imobiliário na China, outrora um dos mais prósperos do mundo, tem sido alvo de preocupação desde que a gigante imobiliária Evergrande entrou em "default".

Efeito dominó

A agitação no grupo Evergrande, que tem também operações em outros setores, teve um "efeito dominó" e pouco tempo depois foi a vez de a rival Fantasia Holdings não cumprir com o pagamento aos credores de US$ 206 milhões, relativos a um título que expirou no início de outubro.

A situação da Shimao sugerem que os problemas do setor imobiliário da China, que afetaram principalmente empresas com classificações de crédito mais arriscadas, como Evergrande e Kaisa Group, poderiam se espalhar para incorporadores mais bem avaliados,  que lutam contra uma queda nas vendas de imóveis e uma perda de confiança dos investidores.

Em um comunicado divulgado nesta sexta-feira, uma unidade da Shimao disse que, embora enfrentasse pressões de liquidez, não deixou de pagar sua dívida pública e está tomando medidas para aumentar as vendas de propriedades e ativos. No entanto, diz o FT, seus títulos ficaram sob foco imediato nos mercados de títulos offshore, onde tomou emprestado US$ 7 bilhões, contra US$ 19 bilhões da Evergrande.

Um título Shimao com vencimento em julho caiu para 49 centavos por dólar, após ter sido negociado anteriormente a mais de 70 centavos por dólar.

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