Renda variável deve ficar mais volátil com as eleições e renda fixa vira oportunidade
Reprodução: iG Minas Gerais
Renda variável deve ficar mais volátil com as eleições e renda fixa vira oportunidade

Para quem, apesar de todas as adversidades, ainda consegue guardar um dinheirinho no fim do mês, pode ser vantajoso não deixá-lo acumulando poeira na boa e velha poupança. Com a inflação acumulada deste ano de 10,42%, a taxa básica de juros — a Selic — a 9,25% e perspectivas de novas altas, surge a dúvida: onde aplicar o dinheiro para conseguir uma boa rentabilidade? Economistas ouvidos pelo EXTRA dizem que diversificar os investimentos é sempre muito importante. Porém, apostam que a renda fixa deve brilhar em 2022 e gerar bons retornos, aliados a um baixo risco.

Com a Selic a 9,25%, a caderneta de poupança — investimento mais popular no país — passa a ter rendimento fixo de 0,5% ao mês acrescido da taxa referencial (TR) de juros, que atualmente é de zero. Na prática, a poupança passará a render 6,17% ao ano.

Sócio e diretor do Modalmais, Ronaldo Guimarães lembra que, no início de 2021, a taxa básica de juros estava em 2%. Com isso, os ativos de renda variável ganharam maior atratividade. Agora, com a expectativa de que a Selic termine o primeiro trimestre de 2022 em 12%, ele diz que a renda fixa ganha espaço. E indica as melhores opções:

"Investimentos que se beneficiam do CDI (certificado de depósito interfinanceiro) alto e ainda têm isenção do Imposto de Renda, como as Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA)."

Guimarães destaca que, com a eleição, a renda variável irá ficar mais volátil. Assim, em um prazo de dois anos, valem títulos indexados ao IPCA.

"A bolsa brasileira irá gerar boas oportunidades. Por isso, por enquanto, recomendo ter um dinheiro aplicado com liquidez diária para comprar ações, quando for propício", sugere o sócio da Modalmais.

Diretor de Alocação e Fundos da XP, Rodrigo Sgavioli diz que em momentos de alta dos juros o investimento pós-fixado é mais vantajoso:

"O benefício é gradativo ao longo do ano, à medida que o CDI aumenta para acompanhar a Selic. O CDI ainda perde para a inflação mas, a partir do segundo trimestre de 2022, devemos ver a inflação controlada e os juros ainda subindo."

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Para quem vai começar

Quem ainda não tem reserva de emergência deve aplicar todo o dinheiro poupado em investimentos de renda fixa que garantam liquidez, para que o saque em caso de imprevistos não seja impedido. Financistas recomendam separar pelo menos seis salários para essa finalidade.

"O Tesouro Selic é um título oferecido pelo tesouro direto com investimento mínimo acessível. Além disso, podemos escolher um CDB de liquidez diária de grandes bancos e instituições sólidas que ofereçam boas taxas", diz Gabriel Branco, diretor de renda fixa da 3A Investimentos.

Para aproveitar o cenário incerto, o especialista acrescenta que é possível fazer a diversificação da carteira dentro da própria categoria de renda fixa, usando ativos pós-fixados para aproveitar a alta do juros e ativos atrelados à inflação para proteger o investimento em relação a possíveis altas do IPCA. No caso de fundos de renda fixa, Branco alerta que é preciso ter cuidado com altas taxas de administração, porque elas acabam reduzindo o rendimento do investidor:

"A ideia é sempre fazer essa otimização de procurar as melhores taxas, mesmo num cenário de alta de juros."

Ganho com oscilações

Nelson Muscari, coordenador de fundos da Guide Investimentos, diz que os investidores que possuem perfil arrojado podem aproveitar a instabilidade econômica do próximo ano para ganhar dinheiro na renda variável, comprando ativos mais baratos e vendendo quando o preço estiver alto novamente. Já para quem possui uma carteira diversificada, no entanto, ele recomenda mantê-la e fazer novos aportes de capital.

"Não se deve fazer um movimento pensando em eleição. Se a gente olhar no longo prazo, esses momentos de volatilidade são apenas passageiros. Não necessariamente os preços dos ativos vão mudar no longo prazo", opina.

Também para investidores agressivos, Rodrigo Sgavioli, diretor de Alocação e Fundos da XP, recomenda aplicar de 1% a 3% do capital em criptoativos, que são uma representação digital de valores, como as criptomoedas e como os bitcoins e outras. Mas atenção: as oscilações são grandes.

"O gestor pode mudar de estratégia de acordo com o cenário", comenta Sgavioli.

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