IPCA-15, a prévia da inflação, fecha 2021 em 10,42%, segundo o IBGE
Fernanda Capelli
IPCA-15, a prévia da inflação, fecha 2021 em 10,42%, segundo o IBGE

Puxada pela alta dos combustíveis, a prévia da inflação oficial ficou em 0,78% no mês de dezembro. Com o resultado, o indicador encerra o ano de 2021 em 10,42%. Os dados são do IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (23).

E se não fosse o 'fica em casa'? A inflação seria menor em 2021?

Analistas ouvidos pela Reuters esperavam alta de 0,80% no mês e 10,45% em 12 meses. Em novembro, o IPCA-15 registrou avanço de 1,17%, a maior taxa para aquele mês desde 2002.

Alta acumulada de 21,35% dos Transportes

Dos nove grupos pesquisados, sete apresentaram alta em dezembro. O maior impacto e variação veio dos Transportes, que encerraram o ano com alta acumulada de 21,35%. Somente este grupo contribuiu com 0,50 ponto percentual no resultado do mês.

O resultado foi incluenciado principalmente pela alta nos preços dos combustíveis, que subiram 3,40% em dezembro. Somente a gasolina avançou 3,28% no mês. Os preços do etanol e do óleo diesel subiram 4,54% e 2,22%, respectivamente, embora as variações tenham sido menores que as do mês anterior, quando os preços avançaram 7,08% e 8,23%.

Já o grupo Habitação subiu 0,90% no mês. A maior contribuição veio da energia elétrica, que subiu 0,96% em dezembro, ante alta de 0,93% em novembro. De setembro deste ano até abril de 2022, fica em vigor a bandeira tarifária Escassez Hídrica para os consumidores que não fazem parte da tarifa social. Com isso, é cobrado o valor de R$ 14,20 a cada 100 kWh consumidos.

Além disso, foram aplicados reajustes tarifários em Brasília, com reajuste de 11,69%, em vigor desde 22 de outubro; Porto Alegre, com reajuste de 14,70% em uma das concessionárias, a partir de 22 de novembro; Goiânia, com reajuste de 16,37%, vigente desde 22 de outubro; e São Paulo, com reajuste de 16,44% em uma das concessionárias, a partir de 23 de outubro.

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Apenas os grupos Saúde e cuidados pessoais (-0,73%) e Educação (0,00%) não registraram aumento no mês.

Gás de cozinha acumula alta de 38,07%

O gás encanado também subiu, com alta de 2,58%, em razão dos reajustes de 6,90% no Rio de Janeiro, aplicado em novembro, e de 17,64% em São Paulo, a partir de 10 de dezembro.

Já o gás de botijão subiu 0,51% em dezembro, registrando o 19º avanço mensal seguido. O item acumula no ano alta de 38,07%.

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A taxa de água e esgoto também subiu em dezembro, com alta de 0,89% no mês. O avanço é consequência dos reajustes de 9,86% no Rio de Janeiro, em vigor desde 8 de novembro, e de 9,05% em Salvador, vigente desde 29 de novembro.

O grupo Alimentação e bebidas avançou 0,35% em dezembro, principalmente por conta da alimentação no domicílio, que subiu 0,46%. A maior contribuição individual veio do preço do café moído, que passou de alta de 4,91% em novembro para 9,10%.

Além disso, os preços das frutas avançaram 4,10% e das carnes 0,90%, após um recuo de 1,15% no mês passado. Ressalta-se, ainda, a alta da cebola (19,40%), que já havia subido 7% em novembro.

A alimentação fora de casa, por sua vez, variou 0,08%.Houve alta de 1,62% no preço da refeição, mas recuo de 3,47% nos preços do lanche, que contribuiu para a desaceleração do IPCA-15 em dezembro.

O grupo Comunicação variou 0,15%, enquanto Artigos de residência subiram 1,19% na passagem de novembro para dezembro. Apenas os grupos Saúde e cuidados pessoais (-0,73%) e Educação (0,00%) não registraram aumento no mês.

Os preços dos automóveis novos (2,11%) e usados (1,28%) seguiram em alta. Outro destaque foram as passagens aéreas (10,07%), que voltaram a subir após um recuo de 6,34% em novembro.

Inflação de dois dígitos em 2021

Com as pressões altistas persistentes impactando o índice de inflação, economistas projetam que o indicador encerre o ano de 2021 em dois dígitos - algo que não ocorre desde 2015, quando chegou a 10,71%.

Se confirmado, o resultado tende a ficar perto do dobro do teto da meta de inflação estipulada para este ano pelo Banco Central. O Banco Central tem como meta 3,75% em 2021, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual (p.p) para cima ou para baixo, ou seja de 2,25% a 5,25%.

Para 2022, o mercado financeiro projeta uma inflação acima de 5% e o estouro da meta pelo segundo ano consecutivo.

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