Paulo Guedes, ministro da Economia
Edu Andrade/Ascom ME
Paulo Guedes, ministro da Economia

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que falta apenas o apoio do Uruguai para que o Mercosul reduza em 10% as alíquotas da Tarifa Externa Comum (TEC).

Segundo o ministro, os uruguaios querem, em troca, que o Brasil concorde com a possibilidade de os sócios negociarem acordos de livre comércio em separado dos demais membros do bloco. Guedes ressaltou que o governo brasileiro não vai se opor a essa proposta.

"O Uruguai disse que nos apoia, mas quer o apoio para avançar em negociações com outros países. Nós, brasileiros, não temos nada contra isso", disse Guedes, durante o lançamento da agenda legislativa da Frente Parlamentar de Comércio e Investimentos do Congresso, em solenidade no Itamaraty.

'Bad guy' e 'good guy'

Paulo Guedes admitiu que tem um estilo mais agressivo e menos diplomático que seu colega de Esplanada dos Ministérios, o chanceler Carlos França. O ministro brincou:

"França é o good guy (bom rapaz, em uma tradução livre) e eu sou o bad guy (mau rapaz)."

Para o ministro, o Brasil foi pioneiro ao criar o Mercosul, mas acabou ficando para trás. O bloco sul-americano, repetiu Guedes, é uma gaiola que aprisionou os seus integrantes. O momento atual, afirmou, é de recuperar o tempo perdido. 

Uruguai

O Uruguai anunciou, no início de setembro, que estaria iniciando conversas para um acordo bilateral com a China, o que vai contra os princípios do Mercosul de negociações apenas em bloco.  

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Em seguida, Guedes complementou: 

"Se algum parceiro quiser avançar com o Uruguai, deixa avançar. Se outro parceiro preferir ficar um pouco fechado, porque está enfrentando problemas econômicos importantes, também compreendemos."

Ao falar sobre o "parceiro que prefere ficar um pouco fechado", Guedes se referia à Argentina, que criou dificuldades nas negociações para a redução das tarifas de importação, mas acabou concordando com a ideia na semana passada, quando o chanceler daquele país, Santiago Cafiero, veio a Brasília. Em seguida, o governo paraguaio anunciou sua posição favorável. 

Guedes lembrou do lobby contrário à redução da TEC, feito pelo embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Scioli. O diplomata diplomata argentino chegou a recorrer a dois ex-presidentes, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, em busca de apoio. 

"Estamos tentando a modernização do Mercosul . Houve um momento em que um embaixador argentino chegou a conversar com dois ex-presidentes", afirmou. "Conversamos com os argentinos e dissemos que 'compreendemos essa negociação difícil, mas vocês têm que compreender a nossa situação'", completou.



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