Em meio à crise da gigante imobiliária, governo chinês aprova imposto sobre propriedade residencial
Fernanda Capelli
Em meio à crise da gigante imobiliária, governo chinês aprova imposto sobre propriedade residencial

A gigante imobiliária Evergrande informou neste domingo a retomada de mais de um dezena de projetos em cidades chinesas como Shenzhen, Dongguan. A declaração veio depois de a empresa pagar US $ 83,5 milhões em juros de uma dívida com credores internacionais na última semana, evitando o calote que parecia iminente.

Em meio a crise da Evergrande, a China anunciou que vai expandir um plano-piloto de reforma do imposto sobre propriedade com o objetivo de deter a especulação imobiliária.

Evergrande, que tem cerca de US $ 300 bilhões em passivos, disse em um post em sua conta Wechat que alguns projetos entraram na fase de decoração de interiores, enquanto outros edifícios tiveram sua construção concluída recentemente.

A empresa acrescentou que o seu esforço para garantir a construção reforçaria a confiança do mercado. A crise e liquidez da Evergrande vem sendo acompanha de perto pelo mercado financeiro global.

O relatório divulgado pela empresa incluiu várias fotos de trabalhadores da construção civil em diferentes projetos, com data e hora carimbadas.

O incorporador imobiliário também anunciou na sexta-feira planos de dar prioridade no futuro ao seu negócio de veículos elétricos sobre o mercado imobiliário.

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Imposto incidirá sobre todos imóveis, exceto rurais

A crise da Evergrande repercutiu no setor imobiliário chinês, que movimenta US $ 5 trilhões, respondendo por um quarto da economia. Em setembro, o segmento registrou uma queda de 16,9% em ritmo anual nas vendas de residências.

Segundo a agência estatal Xinhua, o legislativo chinês aprovou no sábado o mais recente plano para promover o "consumo racional da habitação", numa tentativa de evitar a especulação imobiliária.

Com o plano-piloto de cinco anos, segundo a agência, o imposto sobre propriedade será aplicado a todos os tipos de imóveis, com a exclusão de algumas residências rurais.

O mercado imobiliário chinês disparou após uma reforma de 1998 que desencadeou um boom das construções, apoiado pela rápida urbanização e o acúmulo de riqueza.

Mas com o aumento dos preços também cresceram os temores sobre a desigualdade de renda e a possível instabilidade social.

O presidente chinês, Xi Jinping, pressiona por mais "prosperidade comum" para distribuir a riqueza de maneira mais equitativa.

Em 2011, as autoridades começaram testes em Xangai e Chongqing, com impostos direcionados a propriedades residenciais de alto valor.

As localidades se mostram relutantes a aumentar o imposto, com o temor de que a medida desvalorize as propriedades e reduza a demanda por terra, uma importante fonte de receita para os governos locais, segundo o jornal estatal Global Times.

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