Palácio do Itamaraty
Divulgação/Governo Federal
Palácio do Itamaraty

Brasil e Argentina chegaram a um acordo para a redução em 10% da tarifa externa comum (TEC) do Mercosul. O consenso foi alcançado durante negociação na tarde desta sexta-feira (8), entre o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Carlos França, e o ministro das Relações Exteriores, Comércio Internacional e Culto da Argentina, Santiago Cafiero, no Palácio do Itamaraty, em Brasília.

A redução da tarifa comum é um antigo desejo do Brasil, quer pretende abrir mais sua economia e, com isso, ajudar a controlar a inflação. Já a Argentina temia que a medida pudesse afetar sua produção industrial. O acordo vai abranger uma ampla gama de produtos e ainda será apresentado ao Paraguai e Uruguai, para que seja formalizada a nova TEC do Mercosul.

França foi o primeiro a fazer o anúncio em comunicado à imprensa, destacando dois temas:

"O acordo na tarifa externa comum do Mercosul, que será levado agora aos outros sócios, que permitirá a diminuição de 10% de um universo muito amplo de produtos, com liberdade para que os países possam inclusive ir além desse universo tarifário. E estamos juntos no compromisso de modernização do Mercosul", afirmou o chanceler brasileiro.

Em sua primeira visita oficial como chanceler argentino, Cafieiro conseguiu costurar um acordo importante para os países.

"Para avançar na tarifa, foi necessário trabalhar entre várias equipes, sobretudo argentina e brasileira, e pudemos avançar em um marco de acordo consensual", destacou.

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Ele ainda frisou que alguns "setores sensívies da indústria" ficarão de fora desse acordo para redução da TEC. Como exemplos, citou as indústrias automotiva, têxtil e de calçados.

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No entanto, para valer, ainda é preciso que a proposta de redução da TEC passe pelo crivo de Paraguai e Uruguai.

O Brasil há tempos vem sugerindo essa redução, mas enfrentava forte resistência da argentina. Além disso, o tema era constantemente mencionado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, que chegou a declarar que se não houvesse avanço na proposta, os argentinos poderiam sair do bloco.

O encontro para fechar esse acordo não contou com a presença do ministro. Cafieiro, após comunicado à imprensa no Itamaraty, se dirigiu ao Ministério da Economia para encontrar Guedes.

Guedes, há alguns dias, criticou a Argentina por não aceitar o acordo. O titular da economia indicou inclusive, ao falar do Mercosul, que "quem estiver incomodado que se retire" , em um ataque à posição do país vizinho.

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