Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, quer tirar culpa do Pix por aumento de crimes no Brasil
MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL
Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, quer tirar culpa do Pix por aumento de crimes no Brasil

O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, negou nesta segunda-feira (04) que o Pix esteja atrelado ao aumento da criminalidade. Segundo ele, o aumento de roubos e sequestros-relâmpago tem mais a ver com a reabertura da economia.

"Se a gente olhar o gráfico de incidências e de abertura econômica o que aconteceu é que você tinha um número de incidências e a economia fechou, não tem bar, não tem restaurante, não tem cinema, as pessoas ficam em casa. Obviamente os sequestros-relâmpago caem, a criminalidade cai, quando a economia volta a reabrir, isso volta, só que antes a gente não tinha Pix, agora a gente tem", apontou.

Houve vários casos relatados de pessoas que sofreram sequestros-relâmpago e precisaram fazer um pagamento via Pix, que é instantâneo, para o sequestrador. Além disso, os relatos de fraudes e golpes também utilizando o Pix são frequentes.

"Esse aumento de incidência está muito mais correlacionada com a reabertura da economia do que com o instrumento em si. Ao contrário, o instrumento nos permite fazer ajustes mais fáceis, como ele tá todo na nuvem, a gente faz ajustes rápidamente" disse Campos Neto em evento da Associação Comercial de São Paulo (ACSP)

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Entre as medidas tomadas pelo Banco Central, algumas entram em vigor nesta segunda-feira, como o limite de R$ 1 mil para transferências noturnas e a possibilidade de estabelecer quais contatos poderão receber recursos acima de R$ 1 mil a qualquer hora.

Além disso, bancos poderão bloquear recursos de usuários por 72 horas em caso de suspeita de fraude a partir de 16 de novembro.

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O presidente do BC entende que qualquer instrumento de pagamento que existir vai ser em parte responsabilizado quando há uma alta na criminalidade, mas o Pix é somente um veículo. Segundo ele, o sistema é até melhor para reduzir os crimes porque é mais adaptável, como mostram as medidas que entram em vigor nesta segunda-feira.

"Obviamente vão ter outras demandas no futuro, a gente não tem o sistema perfeito, é um sistema adaptável, mais barato, mais maleável, mais rápido, mais rastreável e mais seguro no fim", defendeu Campos Neto.

De acordo com o presidente do BC, estamos em um momento de aumento da criminalidade, com desemprego informal alto e a autoridade monetária identificou que o Pix estava sendo usado para crimes e atuou para mitigar os riscos.

"Estamos fazendo as correções e se precisar fazer mais correções, faremos. Agora a gente não vai atingir a criminalidade zero e o BC também não pode ter política de segurança pública. A gente vai fazer para que esse instrumento seja o mais seguro possível entendendo que criminalidade sempre vai existir", disse.

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