Brasil já possui Angra 1 e 2 como usinas nucleares, além de Angra 3, que deve ter sua construção concluída em 2025
Wikimedia Commons
Brasil já possui Angra 1 e 2 como usinas nucleares, além de Angra 3, que deve ter sua construção concluída em 2025

A estatal russa de energia nuclear Rosatom e a Eletronuclear, estatal brasileira que opera as usinas nucleares no país em Angra dos Reis, assinaram um memorando de entendimento na manhã desta segunda-feira na Conferência Geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), em Viena.

O memorando prevê o desenvolvimento da cooperação em áreas como a construção e manutenção de usinas nucleares de grande e pequena potência no Brasil, bem como a extensão da vida útil e o fornecimento de combustível para as usinas nucleares que estão em operação no país atualmente.

No processo de privatização da Eletrobras, o governo criou uma nova estatal para assumir as funções públicas da empresa nuclear. Com isso, foi criada a Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBpar), que vai reunir o controle da Eletronuclear e da parte que a Eletrobras possui no capital de Itaipu. A estatal terá orçamento de R$ 4 bilhões.

Nesta segunda-feira (20), o acordo feito entre a Rosatom e a Eletronuclear prevê ainda o reprocessamento de materiais nucleares, com a gestão de resíduos radioativos, além da implementação de projetos conjuntos na área de educação e treinamento, do aumento da aceitação pública da energia nuclear e outras frentes.

Leonam dos Santos Guimarães, presidente da Eletronuclear, disse que o memorando é um  "instrumento de cooperação mútua" e  representa uma excelente oportunidade na expansão futura dos negócios, em especial, "no atendimento à necessidade de expansão da geração nuclear no Brasil". 

Por parte da Rosatom, o memorando foi assinado por Kirill Komarov, primeiro-diretor-geral-adjunto e diretor da Unidade de Desenvolvimento e Negócios Internacionais. 

"O Brasil é um dos principais parceiros da Rosatom na América Latina em várias áreas, principalmente no campo da medicina nuclear. Estou certo de que a assinatura do memorando nos ajudará a abrir uma nova etapa em cooperação bilateral, visto que o país tem trilhado um caminho para ampliar a participação da geração nuclear no balanço energético nacional", disse  Komarov.

Atualmente, a Eletronuclear está em processo de retomada das obras da polêmica usina nuclear de Angra 3, em Angra dos Reis, no Rio, após a revelação de esquemas de corrupção pela Operação Lava-Jato.

Em 2017, foi assinado o primeiro Memorando de Entendimento entre as duas estatais, que expirou ano passado. Na ocasião, além da intenção de construção de novas usinas, havia ainda informações sobre Angra 3, com a possibilidade de participação da Rosatom no projeto.

Agora, o novo acordo prevê ainda, segundo a Eletrobras, desenvolvimento de projetos de usinas nucleares de larga escala, pequenos reatores modulares terrestres e flutuantes; além do desenvolvimento da economia do hidrogênio, entre outros

    Veja Também

    Mais Recentes

      Comentários