BRF, Dona das marcas Sadia e Perdigão, investe em energia solar no Ceará
Fernanda Capelli
BRF, Dona das marcas Sadia e Perdigão, investe em energia solar no Ceará

A BRF, uma das maiores empresas de alimentos do mundo e dona das marcas Sadia e Perdigão, firmou parceria com a brasileira Pontoon para a construção de um parque de energia solar no Ceará. O investimento no empreendimento soma R$1,1 bilhão. Em 15 anos, a companhia estima redução de despesas com eletricidade de R$1,7 bilhão com o projeto.

O anúncio ocorre em meio à mais grave crise hídrica do país dos últimos 91 anos e com forte alta nos preços de energia elétrica. Especialistas ressaltam ainda que há risco de o Brasil sofrer com apagões nos horários de maior demanda por conta do baixo nível dos reservatórios.

Localizado nas cidades de Mauriti e Milagres, o parque solar terá capacidade instalada de 320 Megawatts em 1.170 hectares. Segundo as empresas, a energia gerada em um ano equivale ao abastecimennto de meio milhão de residências.

No local, serão instalados 600 mil painéis solares, que permitirão que a energia gerada seja distribuída às unidades da BRF no Sul do País. Segundo a empresa, o começo das obras está previsto para 2022 e a construção do complexo solar deve ser concluída até o final de 2023, com o início das operações em 2024.

Lorival Luz, CEO da BRF, disse que os investimentos em autoprodução de energia têm como objetivo a redução de custos e de gases causadores do efeito estufa.

"Os investimentos cobrem três importantes pilares de sustentação do nosso negócio, como a sustentabilidade, pois vamos reduzir a emissão de gases do efeito estufa, o econômico, pois teremos valores de produção mais competitivos e potencial redução de custos de aproximadamente R$1,7 bilhão nos próximos 15 anos, e operacional, assegurando fornecimento para nossas unidades", explica Luz.

Em evento on-line, a BRF lembrou ainda de uma joint venture anunciada recentemente com a AES Brasil para autoprodução de energia eólica, em um projeto que somou investimentos de R$130 milhões em energia. Com o atual portfólio de energia limpa, a empresa atingirá 88% de energia elétrica proveniente de fontes limpas e renováveis no Brasil até 2030.

"Com a operação deste complexo solar e do parque eólico construído em parceria com a AES Brasil, será possível garantir a autoprodução de energia necessária para atender dois terços das necessidades de nossas unidades no Brasil, oferecendo energia limpa a custos mais competitivos", revela Vinicius Barbosa, vice-presidente de Operações e Suprimentos da BRF.

ArcelorMittal investe no ES

No início da semana, outra gigante industrial também anunciou projeto de energia. A ArcelorMittal Tubarão inaugurou uma planta de dessalinização de água do mar. Com investimentos de R$ 50 milhões, a planta pode ajudar a garantir maior segurança hídrica para a empresa e para o Espírito Santo.

De acordo com o presidente da ArcelorMittal Brasil, Benjamin Baptista Filho, a produção da planta está alinhada à estratégia da empresa frente a futuros cenários de escassez hídrica. A água tratada será destinada para fins industriais, substituindo parte do volume consumido do Rio Santa Maria da Vitória e permitindo, assim, maior disponibilidade do recurso para a sociedade.

Benjamin explica que o sistema utilizará tecnologia de osmose reversa, bastante comum em países como Israel, Espanha, Estados Unidos e outros, para captação de água do mar.

"Nossas equipes fizeram estudos durante cerca de dois anos, incluindo avaliação de várias alternativas tecnológicas para dessalinização, análises de qualidade da água do mar, discussões técnicas com fornecedores de todo o mundo, testes em laboratório e até visitas técnicas em plantas na Argentina e nos Estados Unidos."

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