Agência da Caixa Econômica Federal
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Agência da Caixa Econômica Federal

A Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara quer ouvir os setores do governo envolvidos na ameaça de Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal deixarem de ser associados à Federação Brasileira de Bancos (Febraban). O motivo, como foi revelado pelo colunista Lauro Jardim, no sábado (28), é a adesão da Febraban a um manifesto a ser publicado na próxima terça-feira (31) pregando a harmonia entre os Poderes.

A iniciativa dessa publicação é da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O governo avalia que a adesão da Febraban será uma manifestação política contra o governo Bolsonaro.

O presidente da Comissão de Fiscalização, deputado Aureo Ribeiro (Solidariedade-RJ), fará um requerimento para ouvir na Câmara, em audiência pública, o ministro da Economia, Paulo Guedes, e os presidentes do Banco do Brasil, Fausto Ribeiro, e o da Caixa, Pedro Guimarães.

Para o deputado, o episódio é mais uma demonstração de que o governo está "desconectado" do mundo real. "Trata-se de mais uma pauta ideológica do governo, que não respeita as instituições. O presidente da República não pode incluir as instituições bancárias na sua guerra ideológica. São dois bancos fundamentais para o país, que não podem ser afetados por esse clima", disse Ribeiro, que criticou a atuação de Paulo Guedes.

"Está virando um filme de terror. O ministro vive num mundo irreal e não se atenta para os 15 milhões de desempregados, o preço do quilo de carne, do litro de gasolina, da conta de luz. E coisas que não têm importância, como essa ameaça a Febraban, ganham uma relevância tremenda", afirmou o deputado.

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O manifesto será batizado de "A praça dos Três Poderes", não citará Jair Bolsonaro, mas irá afirmar que "as entidades da sociedade civil que assinam esse manifesto veem com grande preocupação a escalada de tensões e hostilidades entre as autoridades públicas". Cerca de cem entidades já teriam aderido ao manifesto.

Guedes, Bolsonaro e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, acompanham o caso e apoiam a decisão de saída da Febraban. A federação foi criada em 1967, com a participação dos dois bancos.

O GLOBO publicou neste domingo (29) que o documento deve ter, no máximo, três parágrafos, e irá citar a preocupação com a escalada de tensões entre os "diversos atores políticos".

O deputado José Carlos (PT-MA), que preside na Câmara Frente Parlamentar em Defesa dos Bancos Públicos, também criticou a ação do governo nesse caso e disse não ver problema algum em uma entidade assinar uma nota em defesa da harmonia entre os Poderes.

"Qualquer cidadão com alguma consciência quer a harmonia nesse país entre suas instituições. Só que essa palavra, harmonia, não está no dicionário do Bolsonaro, que sempre pregou somente a divisão no país. Estamos diante de um presidente acuado, com a economia derretendo e com seu índice de popularidade baixíssimo" disse o petista.

"É importante a manutenção desses bancos na Febraban, porque eles têm também seus projetos econômicos, e ainda que atuem no fundamental papel social", acrescentou.

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