Bilionário americano, Larry Fink disse que aplicações de longo prazo devem considerar empresas nas quais o investidor acredite
MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL
Bilionário americano, Larry Fink disse que aplicações de longo prazo devem considerar empresas nas quais o investidor acredite

Para ter uma aposentadoria confortável, é preciso saber investir. E isso significa ter um portfólio diversificado e com aplicações no exterior, ensinou Larry Fink, CEO da gestora de ativos BlackRock, durante o evento Expert XP, realizado nesta terça-feira.

Autor de uma carta aos CEOs de todo o mundo alertando para a importância que as políticas ambientais vêm ganhando para os investidores, Fink destacou que os investimentos de longo prazo, como é o caso das aposentadorias, não precisam estar desvinculados do propósito individual de cada investidor. Pelo contrário. De acordo com ele, o ideal é que as pessoas busquem investir em empresas com as quais se identificam.

Segundo o bilionário americano, muitas pessoas em todo o mundo juntam dinheiro ao longo da vida, mas deixam os recursos na conta bancária, fazendo com que esse dinheiro se desvalorize com o tempo. Ele acredita que existe um medo de investir, influenciado pela ideia de rapidez do mercado financeiro, mas que não condiz com o investimento de longo prazo, que é menos volátil.

"Aí é que está a alegria de investir: encontrar portfólios em que se consegue reunir empresas com as quais você vai crescer junto. Sei que é uma jornada difícil, mas vale o esforço. Se você puder realmente pensar no que está investindo, ter uma carteira diversificada global vai ser a melhor estratégia."

Fink acrescentou ainda que quando é questionado sobre o melhor tipo de investimento, sua resposta é: fundos globais diversificados, lançando mão de oportunidades em países emergentes, como o Brasil e a China, e em tecnologias que ajudem a solucionar questões climáticas, como energias renováveis.

O CEO da BlackRock reconheceu que existe uma dificuldade para identificar atualmente os investimentos com impacto sustentável real, e que uma taxonomia para isso deve ser definida na A Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP26), que ocorre em novembro.

Ele acrescentou que em meio ao crescimento do nacionalismo em todo o mundo, é fundamental que os empresários liderem a busca por soluções que ajudem a sociedade a avançar.

"Precisamos ter um capitalismo mais inclusivo. Depende dos negócios fazer com que a sociedade avance. Por isso eu escrevi aquela carta aos CEOs. É importante que nesse mundo em que há tanta desigualdade, a gente consiga trabalhar junto com os governos", defendeu.

De acordo com o empresário, é preciso também “reimaginar” o Fundo Monetário Internacional (FMI) para que se consiga ajudar os países, especialmente os emergentes, a implementar projetos socioambientais. Ele ressaltou que as soluções energéticas mais importantes são caras, e por isso dificilmente seriam implementadas nos países rápido o suficiente para que se tenha um mundo mais sustentável.

"Se nós formos trazer o capital privado para o mundo emergente, para ajudar a investir em novas tecnologias de energia solar, eólica, a gente vai precisar repensar o financiamento disso. O capital privado não consegue investir na maior parte do mundo emergente. E quando o FMI foi criado, a ideia é que os bancos fizessem esse financiamento, mas isso não acontece mais. São os investidores da XP e da BlackRock."

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