Risco país em alta e real desvalorizado fazem investidores duvidarem de retomada
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Risco país em alta e real desvalorizado fazem investidores duvidarem de retomada

A desvalorização do real e das ações brasileiras tende a continuar nos próximos meses, conforme a confiança dos investidores na situação fiscal vem se deteriorando. Esse movimento levou o Tesouro a segurar a emissão de títulos da dívida.

Em agosto, a média semanal de emissões está em R$ 16,9 bilhões, abaixo do volume de R$ 26,2 bilhões de julho e de R$ 32,5 bilhões em maio, de acordo com dados da corretora Renascença.

Indicador do risco-país, os contratos de cinco anos de credit default swap (CDS) do Brasil aumentaram quase 8% entre 2 de agosto e ontem, quando fechram aos 189,2 pontos. Esse foi o maior patamar desde 3 de maio (189,94 pontos).

Ao mesmo tempo, os juros futuros DI, que mostram a expectativa do mercado com relação às taxas Selic e CDI, também vêm subindo. Para 2026, já se aproximam de 10%.

"O que aconteceu com a curva de juros nas últimas semanas ajuda a perceber a deterioração da percepção de risco dos investidores. Se realmente chegar aos dois dígitos, será um risco para a renda variável", afirma Cassiana Fernandez, economista-chefe do banco JPMorgan no Brasil.

Para controlar o câmbio e a inflação, o Banco Central recorreu à alta de juros: a Taxa Selic já subiu de 2% para 5,25% ao ano. Porém, o BC não tem conseguido compensar a desconfiança em relação às contas públicas. Para Cassiana, um valor justo para o dólar seria de R$ 5.

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Mas com a instabilidade política e o risco fiscal maior, o JPMorgan vê a moeda perto de R$ 5,40 pelos próximos meses.

Gustavo Arruda, economista-chefe do BNP Paribas Brasil, disse que os preços dos ativos estão sendo revistos, considerando os novos riscos.

"Para o investidor participar do mercado brasileiro, precisa ser a preços diferentes", aponta Arruda, que espera um ano ainda mais volátil em 2022. Algo similar ao que vimos nas últimas semanas.

Investidores acompanham com atenção as tentativas do governo de ampliar o Bolsa Família e os conflitos entre o Executivo e o Supremo Tribunal Federal (STF). Lá fora, a possibilidade de aumento da taxa de juros nos Estados Unidos é outro fator que preocupa os países emergentes.

"O BC está atuando, mas é preciso controlar a inflação com políticas macroeconômicas, fiscais e o avanço das reformas", avalia Cassiana.


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