Lojistas acreditam em aumento de vendas nos próximos meses
Valter Campanato/Agência Brasil
Lojistas acreditam em aumento de vendas nos próximos meses

Com a reabertura gradativa da economia, e o avanço da vacinação, os brasileiros voltaram às compras no ambiente físico. E elas representaram 78,9% das transações financeiras no segundo trimestre de 2021 frente aos 21,1% das compras on-line.

É o que aponta o mais novo relatório sobre o comportamento do consumidor elaborado pelo Itaú com base em movimentações de cartões de débito e crédito do banco e da Rede, empresa de adquirência.

Os dados de consumo mostraram que os brasileiros voltaram a viajar, a gastar com seu bem estar, indo a cabeleireiros e manicures, e com lazer, voltando a frequentar os bares.

"Ainda não dá para dizer que há uma desaceleração das compras on-line, mas sim que há uma estabilização da parcela que migrou das compras físicas para o on-line. As transações on-line estão ficando num patamar pouco acima de 21%. Com a flexibilização das restrições, vemos as compras físicas voltando a todo vapor e nos próximos levantamentos vamos saber se isso é uma tendência", diz Moisés Nascimento, diretor de estratégia e engenharia de dados do Itaú.

Nascimento lembra que as compras via internet deram um salto de 15,8%, no segundo trimestre de 2019, para 22,8% no das transações efetuadas no quarto trimestre do ano passado. Agora,tiveram recuo de até 21,1%, segundo o levantamento feito pelo Itaú.

Para o diretor de estratégia do Itaú, compras de alimentos e em mercados estão mostrando tendência de se tornarem on-line. Nascimento avalia que este é um cenário que deve permanecer no pós-pandemia. Mas surpreendeu o fato de que, no geral, as compras via intenet tenham se estabilizado com a reabertura da economia.

"Achei que haveria um apetite maior para as compras on-line", observou Nascimento.

No comércio eletrônico, no segundo trimestre deste ano, tiveram crescimento expressivo os setores de saúde, bem-estar e veterinário: o crescimento foi de 97,3% na comparação com igual período de 2020.

O item alimentação teve um crescimento de 38,2% ante o mesmo período de 2020 e de 516,7% ante 2019. Também mostraram desemprenho positivo turismo e transportes, apesar de não terem voltado aos patamares pré-pandemia.

O setor de turismo, que apresentou queda de 85,2% em 2020 ante 2019, apontou crescimento de 269,1% em 2021 com relação ao segundo trimestre de 2020.

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No ambiente físico, os segmentos que apresentaram maior crescimento no segundo trimestre de 2021 foram os atacadistas – com um aumento de 35,4% ante 2020 — e lojas de materiais de construção — com elevação de 31,6%.

Nas atividades de bem-estar, como spas, centros estéticos, massagistas e manicure, houve aumento de 90,7% no segundo trimestre deste ano na comparação com o mesmo período de 2020.

Nos bares, houve crescimento de 153,5%, sinalizando aceleração do setor. No setor de lazer, considerando clubes, cinema, teatro, boliche, sinuca, além de parques e escolas de dança, houve crescimento de 176,6% no faturamento, no segundo trimestre de 2021, na comparação com igual período de 2020.

Risco energético

O risco de restrição de oferta de energia já está pesando mais do que a propagação da variante Delta do coronavírus na recuperação da economia brasileira na avaliação do economista-chefe do Itaú, Mario Mesquita.

Ele observa que a inflação é um problema e deve atingir picos superiores a 9%, mas com a elevação da taxa de juros Selic pelo Banco Central, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve terminar 2021 em 7%. Mesquita espera que a Selic chegue a 7,5% no final do ano.

"O ano de 2022 será mais desafiador que 2021. O risco de restrição de oferta de energia é uma preocupação perene", disse Mesquita.

O economista-chefe do Itaú afirmou que os números nacionais da pandemia não mostram impacto negativo da variante Delta até agora. Há queda de casos da doença, com o avanço da vacinação, e setores mais afetados pelas medidas de distanciamento social, como o varejo, se recupera.

Para este ano, o economista prevê um crescimento de 5,7% da economia. Mas para 2022, a expectativa é de uma expansão de apenas 1,5%. Mesquita explica tanto a política monetária quanto a fiscal estarão ‘operando com o pé no freio’ no ano que vem, o que leva a essa previsão.

Mesquita observa que o emprego formal também já está voltando, mas o setor informal ainda está bastante prejudicado. E avalia que, como os trabalhadores do setor informal ganham menos, a tendência é que o Brasil saia ainda mais desigual dessa pandemia.

"O emprego formal voltou, o que é bom. Isso mostra que os setores mais modernos da economia se recuperam. Mas os trabalhadores do setor informal ganham menos e ainda está ruim. Isso significa que o Brasil sairá mais desigual dessa pandemia", disse Mesquita.

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