Paulo Guedes disse que irá empenhar valores, mas terá que retirar de outros lugares
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Paulo Guedes disse que irá empenhar valores, mas terá que retirar de outros lugares

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que ouviu do presidente Jair Bolsonaro um pedido para tirar recursos “de onde for” e direcioná-los para obras em estradas . O ministro participou de audiência na Comissão de Acompanhamento da Covid-19 no Senado.

"O presidente outro dia nós chamou e falou: Tira dinheiro de onde for, tira de qualquer dinheiro e deu um número, prefiro não dizer qual é agora, eu quero tanto de dinheiro para o Tarcísio (de Freitas, ministro da Infraestrutura) nos próximos 3 ou 4 dias, tem que ter esse dinheiro porque senão vai afetar a degradação das estradas brasileiras", explicou.

Guedes então explicou aos senadores que vai realocar os recursos pedidos pelo presidente , mas eles terão de ser retirados de outros lugares.

"Nós vamos arrumar o dinheiro, mas como estamos embaixo do teto (de gastos), dois minutos depois um outro ministro vai dar um pulo em outro lugar e falar: está tirando meu dinheiro daqui. Eu tenho que dizer: é a política, enquanto não assumirmos o controle dos orçamentos, estamos presos embaixo deste teto, esse degraçado desse teto, mas que no fundo é o que tem nos permitido não desorganizar a economia enquanto estamos lutando com a pandemia", disse o ministro.

Mercosul e acordo com a União Europeia

Questionado sobre a relação com o Mercosul e o acordo de livre comércio com a União Europeia , Guedes disse que o país “andou errado” por muitos anos na questão ambiental e que o governo tem tentado fazer a sua parte, mas que já há um “veredito” sobre esse tema no exterior. .

"A verdade é que lá fora já tem quase que um julgamento e um veredito contra o Brasil, pode ter parte que nós cometemos erros, pode ter parte que são alegações de quem perdeu as eleições anteriores e querem denegrir o governo atual e pode ter parte que são interesses privados lá de fora, por exemplo, há nações que são protecionistas e temem a potência, a competência do nosso agronegócio e usam o ambiente como disfarce para fazer um ataque comercial", disse Guedes.

O acordo foi assinado pelos dois blocos econômicos em 2019, mas vem enfrentando resistências de alguns países europeus, como a França, que alegam que os problemas ambientais no Brasil são impeditivos.

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O ministro ainda explicou que pediu ajuda aos europeus para resolver o problema ambiental e comercial e que não cedessem a “interesses menores".

"O Brasil tem a matriz energética mais limpa do mundo, quer trilhar o caminho correto, quer se acertar, vai honrar o acordo de Paris, está prometendo e vai cumprir as exigências ambientais. Se vocês em vez de nos abraçarem rápido, se vocês cederam a interese menores, regionais, de quem tem medo da nossa agricultura e não nos aceitarem lá, nós vamos partir para outros acordos", disse.

Além de falar do acordo, Guedes reclamou do próprio Mercosul e pediu novamente por uma modernização do bloco.

O governo tenta reduzir a Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul e avançar com a agenda de abertura comercial, mas esbarra na resistência da Argentina.

Guedes diz que está propondo para os argentinos que o bloco tenha mais liberdade para fechar acordos comerciais, como com o Chile.

"Eles estão com problemas fiscais enormes, problemas com FMI, então estão extraordinariamente protecionistas no momento. A gente entende isso, mas não podemos deixar de fechar acordo com o Chile agora porque estão com problema transitório. Tem que ser ao contrário, em vez deles nos vetarem, eles nos deixam avançar e nós deixamos a porta aberta quando quiserem, se sentirem restabelecidos da “doença fiscal”, eles voltam e juntem a nós", explicou.

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