Comércio não tem fôlego para a terceira onda
Denny Cesare/Código 19/Agência O Globo
Comércio não tem fôlego para a terceira onda

Desde o início da pandemia, as empresas de comércio de bens, serviços e turismo foram as mais afetadas. Juntas, elas representam 73% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, e seu funcionamento é essencial para a retomada econômica . Quando as companhias começavam a se recuperar da primeira onda, veio a segunda, que deixou o setor sem fôlego para continuar parado.

Para lidar com essa situação, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) tem buscado medidas de apoio junto ao governo federal e ao Congresso Nacional para minimizar os impactos tanto para as empresas quanto para os empregados. O Sistema Comércio também colocou o Sesc e o Senac à disposição para auxiliar na vacinação em todo o país, seja com campanhas de conscientização, seja no apoio ao movimento Unidos pela Vacina.

Além disso, a confederação lançou uma campanha que exalta a essencialidade do comércio de bens, serviços e turismo. O material mostra como esses segmentos estão preparados para atender com cuidado e segurança a população. Nas redes sociais, a campanha utiliza as hashtags: #comercioaberto, #serviçoaberto e #turismoaberto.

Queda nas vendas

"A demora na vacinação da população, o aumento de casos de Covid e restrições ao comércio de bens, serviços e turismo serão refletidos na crise. Estamos dialogando com as autoridades para mostrar que o comércio formal trabalha com segurança e responsabilidade. A saúde é prioridade, sem dúvidas, mas acreditamos que é possível se proteger sem descuidar do emprego, da economia e do social" afirma o presidente da CNC, José Roberto Tadros.

Ao longo da crise sanitária, tem se observado a clara correlação negativa entre o isolamento social e o desempenho mensal das vendas do varejo, como, por exemplo, em abril do ano passado, quando o ápice do isolamento social coincidiu com a maior retração mensal do volume de vendas da série histórica da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Ao fim do primeiro trimestre, apenas três segmentos apresentavam nível de faturamento mensal superior ao observado no período pré-pandemia: hiper e supermercados (+3,9%), artigos farmacêuticos (+12,7%) e lojas de material de construção (+1,9%).

"Sobressaem negativamente nesse comparativo as perdas de mais de 50% ainda registradas pelas livrarias e papelarias e pelas lojas de tecidos, vestuário e calçados", observa Fabio Bentes, economista da CNC. Somente no ano passado, foram fechados 110 mil estabelecimentos de varejo e turismo em todo o Brasil.

O turismo é o segmento mais afetado pela Covid-19 na geração de receita. Ao fim do primeiro trimestre de 2021, o nível de produção do setor está 44% abaixo do período pré-pandemia. A Confederação calcula que, em 14 meses (de março de 2020 a abril de 2021), o turismo brasileiro perdeu R$ 341,1 bilhões.

Vacinação

Programas de estímulo do governo, como o auxílio emergencial, também podem impulsionar as vendas. Apesar da redução, o benefício é uma medida positiva como estímulo à economia e garantia à população. Estima-se que 31,2% do que for sacado pela população atendida será gasto no setor.

A CNC também solicitou à Presidência da República e ao Ministério da Saúde que os trabalhadores do comércio sejam incluídos no grupo prioritário de vacinação. Nos ofícios, a instituição ressalta a importância dos serviços prestados no comércio para fornecer à sociedade bens e serviços indispensáveis durante o combate à pandemia.

"A vacinação em grande escala é imprescindível para fomentar a economia. Somente com a segurança da vacina a população se sentirá totalmente apta a consumir os serviços e, assim, movimentar o setor novamente", declara o economista-chefe da CNC, Carlos Thadeu de Freitas.


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