Especialistas comparam atitudes entre os governos Dilma e Bolsonaro
Montagem iG
Especialistas comparam atitudes entre os governos Dilma e Bolsonaro

As ameaças do presidente Jair Bolsonaro em intervir na política de preços dos combustíveis na Petrobras  e alterar as taxas nas contas de luz , acenderam o sinal de alerta e as atitudes passaram a ser comparadas com a da ex-presidente, Dilma Rousseff . Para especialistas, o paralelo entre os dois governos não fica apenas nas atitudes, mas podem ser equiparadas em relações com ministros e Congresso Nacional .

A tentativa em diminuir os preços dos combustíveis é apenas uma das semelhanças entre dos dois governos. Dilma sempre se mostrou contra dolarização dos preços, mesma opinião que está seguindo Jair Bolsonaro, contrariando seu ministro da economia, Paulo Guedes.

Para especialistas, a falta de diálogo e o populismo econômico faz esse contraponto entre as duas gestões.

"Os dois governos são parecidos no sentido de interferência em estatais. O Bolsonaro prometeu manter a autônoma das empresas, mas isso não está acontecendo. Isso é um dos paralelos entre os governos", afirma o professor de economia e relações internacionais do Ibmec-SP, Alexandre Pires.

"A Dilma teve um governo de mão pesada nas estatais. Ela não repassava os reajustes aos preços das estatais. Os preços sempre eram calculados abaixo da inflação", completa.

Pires lembra que o Governo precisa manter uma política ajustada. Para o professor, se não for feito uma administração plausível, o governo terá que arcar com prejuízos econômicos.

"Se não houver uma política de controle econômico, provavelmente o Governo irá perder o controle das ações e provocar uma crise maior do que já está", lembra.

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Jogo político em primeiro lugar

Prometendo uma equipe técnica para compor seu governo, Jair Bolsonaro se rendeu as pressões do centrão e cedeu cargos no alto escalão do Palácio do Planalto. Fábio Faria (PSD-RN) e João Roma (Republicanos-BA) , chefes da Comunicação e Cidadania, respectivamente, são exemplos deste jogo político. Jogo que fez parte dos dois governos Dilma, principalmente no segundo mandato, com concessões de cargos para MDB, PP e PSD.

Mas as articulações para a manutenção no cargo provocaram diversas trocas em ministérios. Enquanto Dilma Rousseff mexeu 28 vezes em seus ministérios em seu último mandato, Bolsonaro já realizou 18 alterações nas pastas.

O atual chefe palaciano, inclusive, que na campanha eleitoral prometeu diminuir ministérios, voltou a se comprometer a disponibilização de cargos,  recriando o Ministério das Comunicações e ameaçando dividir as pastas da Justiça e Segurança Pública e Economia . Situação parecida com Dilma, que mantinha as mais de 25 pastas em seus mandatos.

"A troca de ministros é uma das coisas parecidas. O Governo não dialoga com os ministérios, não conversas entre eles. A falta desse diálogo provoca incoerência", afirma o cientista político, José Elias Domingues.

O professor de economia e relações internacionais do Ibmec-SP, Alexandre Pires, ressalta o interesse do Governo Federal em manter cargos estratégicos sob poder político e liberar outros para os ministros.

"A Dilma teve um governo muito centralizador, tudo passava por ela. Embora o Bolsonaro não tenha tudo sob o controle dele, ele quer manter apenas os cargos estratégicos politicamente e eleitoralmente, para não se prejudicar na Presidência", afirma.

"Essas interferências, assim como no governo Dilma, enfraquecem seus ministros. O Guedes sai mais enfraquecido dessas alterações propostas por Bolsonaro, mesmo após o envio das MPs para a privatização da Eletrobras e Correios", ressalta.

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