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A boate Love Story, no centro de São Paulo, foi fundada em 1990 e é um dos ícones da cena noturna da cidade
Folhapress
A boate Love Story, no centro de São Paulo, foi fundada em 1990 e é um dos ícones da cena noturna da cidade


Na quarta-feira (10), o juiz Marcelo Barbosa Sacramone, da 2ª Vara de Recuperação Judicial e Falências de São Paulo , assinou o decreto que sentencia a falência da boate Love Story. A informação foi antecipada pelo portal JOTA.

Os donos da danceteria pediram recuperação judicial em agosto de 2018. O objetivo era conseguir congelar dívidas, na casa dos R$ 1,7 milhão. A crise da Covid-19, entretanto, impediu o funcionamento de casas noturnas por meses. Por isso, a Love Story descumpriu o plano de recuperação judicial e outros compromissos assumidos.

O advogado Marcelo Hajaj Merlino, que protocolou o pedido de recuperação há três anos, ponderou que a situação da Love Story é, na verdade, geracional, porque “os jovens de hoje não gostam mais de frequentar boates”.

Marcelo pontua ainda que “o inadimplemento não se justifica apenas em razão da pandemia. O crédito trabalhista deveria ter sido pago em novembro de 2019. Antes, portanto, da pandemia, a recuperanda já era inadimplente”.

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A danceteria é uma das mais tradicionais da capital paulista. Localizada na Rua Araújo, 232, em frente ao Edifício Copan. Alice Mello, 20, era vizinha do lugar. “Não é da minha época, não é meu tipo de rolê. Mas entrei lá uma vez com a minha mãe, por curiosidade”, conta.

Rolê

Alice é, exatamente, 20 anos mais nova que sua mãe, Leandra. Ela viveu a fase de ouro da boate, em uma época que o circuito de entretenimento noturno da capital paulista era outro. Um dia, visitando Alice em seu apartamento novo, na República, Leandra reparou que o lugar fica a poucos metros da discoteca. Contou a história para a filha e foram. 

“Aquele lugar é um puteiro”, diz Alice. A iluminação frenética, o espaço fechado, a fumaça doce e os banheiros com luz negra não agradaram a jovem, que frequenta raves.

“Assim que entramos, as mulheres nos olharam torto, como se não devessemos estar lá. Sentamos, pedimos uma bebida e enquanto esperávamos, uns três ou quatro caras, da idade da minha mãe, sentaram com a gente achando que éramos garotas de programa”.

Alice também reclamou do preço. “Tomamos a caipirinha, super aguada por sinal, e levamos um susto na hora de pagar", conta. E completa: "Fiquei meia-hora, mas já quis ir embora quando cheguei”. 

Independentemente do estilo, o fato é que a Love Story marcou época em São Paulo. O local que foi cenário de uma das histórias da famosa garota de programa Bruna Surfistinha - interpretada no cinema pela atriz Deborah Secco - fechou as portas, encerrando uma história famosa na capital que nunca dorme.

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