Países da zona do euro sofrem retrações econômicas em 2020
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Países da zona do euro sofrem retrações econômicas em 2020

Com pandemia, Espanha e França encerram 2020 em recessão, com quedas recordes no Produto Interno Bruto (PIB) estimadas em 11% e 8,3%, respectivamente. O recuo ocorre apesar do crescimento da economia espanhola nos últimos três meses do ano, quando a contração francesa ficou abaixo do estimado para o período e a Alemanha avançou, numa sinalização da resiliência da economia da zona do euro.

O PIB dos Estados Unidos , maior potência econômica global, também foi fortemente afetado pela panedemia, encolhendo 3,5% em 2020, o maior tombo já registrado desde 1946, quando o país tentava se recuperar da Segunda Guerra Mundial. A China , que foi berço da pandemia, terminou o ano de 2020 com crescimento econômico de 2,3%. O resultado foi o menor desde 1976 — último ano da Revolução Cultural — mas veio acima da expectativa e reforça a posição da nação asiática como motor da economia global.

Na Alemanha, as exportações robustas ajudaram a maior economia da Europa a alcançar um crescimento de 0,1% no quarto trimestre, evitando a contração, apesar de uma segunda onda do novo coronavírus travar o consumo, mostraram dados divulgados pela a Agência Federal de Estatísticas do país nesta sexta-feira (29).

As exportações de bens e o setor de construção sustentaram a economia, enquanto o novo lockdown determinado no fim do ano passado prejudicou o consumo privado, disse a agência. Pesquisa da Reuters apontava expectativa de estagnação no quarto trimestre. No terceiro trimestre, a economia cresceu 8,5%.

“No quarto trimestre, essa recuperação foi refreada pela segunda onda de coronavírus e pelo novo lockdown no fim do ano”, disse a Agência de Estatísticas.

Incerteza com lockdown na França

A França , segunda maior economia da zona do euro, acabou resistindo melhor ao segundo confinamento, decretado no fim de outubro, para conter a segunda onde de infecções, com PIB encolhendo 1,3% no último trimestre do ano, muito menos do que o esperado.

O recuo, após salto de 18,5% no terceiro trimestre depois de um primeiro lockdown, superou as expectativas de contração de 4% em pesquisa da Reuters com 28 economistas.

O resultado, no entanto, não minimizou os estragos provocados pela pandemia de Covid na economia francesa: no ano, o PIB contraiu 8,3%, apontam as primeiras estimativas publicadas nesta sexta-feira pelo I nstituto Nacional de Estatística (Insee) .

De acordo com o Insee, nesse segundo confinamento, a paralisação econômica foi "muito mais moderada do que durante o primeiro, entre março e maio de 2020". No segundo trimestre do ano, a queda do PIB foi de 5% em relação ao ano anterior.

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A França aguarda para saber nos próximos dias se o governo colocará o país sob novo lockdown e em particular se as escolas serão fechadas.

"Se as restrições forem mais rigorosas, será muito difícil registrar algum crescimento no primeiro trimestre", avalia a economista da Euler Hermes Selin Ozyurt.

A Insee informou que os gastos dos consumidores saltaram 23% em dezembro sobre o mês anterior já que as restrições foram aliviadas, o que ajudou a limitar a queda no quarto trimestre dos gastos das famílias, tradicional motor da economia francesa.

Em 2019, a economia da França cresceu 1,5%, um dos avanços mais importantes da zona euro. O ano de 2020 trará, no entanto, uma recessão recorde, inédita desde a Segunda Guerra Mundial.

Crescimento tímido na Espanha

A Espanha , por sua vez, alcançou um crescimento trimestral tímido de 0,4%. Mas isso não impediu o país ibérico de registrar sua pior contração econômica anual, com o PIB caindo 11% em relação a 2019, mostraram dados oficiais.

O número aproxima-se da projeção do governo espanhol de -11,2%. E melhora notavelmente a previsão mais pessimista do Fundo Monetário Internacional (FMI) , de queda de 12,8%.

“Os números de Alemanha, França e Espanha mostraram que o PIB foi relativamente resiliente no quarto trimestre”, escreve Nicola Nobile, da Oxford Economics, em uma nota. Mas acrescenta: "não há muitas indicações de que essa dinâmica pudesse ter continuidade no primeiro trimestre deste ano".

“Em suma, a implementação decepcionante da vacina até agora, a extensão das restrições em muitos países europeus e os dados mais recentes apontam agora para uma fraqueza contínua da economia na zona do euro nos próximos meses”, completa Nobile.

Na Alemanha, a chanceler Angela Merkel e líderes estaduais concordaram na semana passada em estender o bloqueio até meados de fevereiro, já que o país, que foi tido como modelo no combate à pandemia, luta em meio a uma segunda onda de infeções, registrando um número diário recorde de mortes por COVID-19 .

Na quarta-feira, o governo alemão reduziu sua previsão de crescimento para 3% este ano, uma revisão brusca da estimativa anterior de expansão de 4,4% do PIB.

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