restaurante com álcool em gel
Tânia Rêgo/Agência Brasil
Bares e restaurantes reabriram, mas ainda têm limitações, como capacidade reduzida e menor horário de funcionamento

O setor de serviços, motor do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, segue em recuperação lenta após as perdas mais severas provocadas pela pandemia. Dados divulgados nesta quarta-feira (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que o segmento cresceu 2,9% em agosto, na comparação com julho. Foi o terceiro mês consecutivo de alta, após quatro meses em queda.

O setor de serviços vem apresentando mais dificuldade do que outros segmentos da economia para se recuperar. Especialistas ouvidos pela Reuters esperavam uma alta de 2,6% para o período.

Nos últimos meses, enquanto indústria e comércio já registravam resultados melhores, os serviços ainda apresentavam uma retomada tímida, mesmo com a flexibilização dos protocolos de distanciamento social em todo o país.

O desempenho trava a recuperação da atividade, uma vez que os serviços pesam quase 70% do PIB doméstico.

O segmento ainda está 9,8% abaixo do nível pré-pandemia. Se comparado ao mesmo período do ano passado, a queda registrada é de 10% - o que mostra que o setor está bem abaixo do "normal".

A velocidade da saída do "fundo do poço" será decisiva para uma melhora geral da economia. Especialistas ressaltam, no entanto, que a tendência é que o setor seja o mais lento na recuperação por conta das características próprias e de uma dinâmica mais ligada à movimentação de pessoas.

Além do turismo reduzido, estabelecimentos estão operando com horário e capacidade reduzida, por exemplo. Dados do Google indicam que o fluxo em lojas de varejo e lazer ainda está 18% abaixo do pré-pandemia, assim como o movimento em parques (-25%), transporte público (-11%) e locais de trabalho (-5%).

"Essas empresas mostram alguma recuperação, mas com um 'teto de retomada', já que não têm plena capacidade de atendimento, comparada ao período pré-pandemia. Isso piora com o receio de algumas famílias de consumir esses serviços, como ir a restaurantes ou viajar", explica Rodrigo Lobo, gerente da pesquisa do IBGE.

Cálculos do próprio IBGE dão o tom do tamanho do desafio para crescer. Entre 2011 e 2014, período de maior crescimento do segmento no país, o avanço acumulado registrado foi de 14,5%. Hoje, para retornar ao patamar pré-pandemia, é preciso avançar 17%. Trata-se de algo nunca visto na história da pesquisa do IBGE.

Especialistas afirmam que nos próximos meses a economia deverá seguir beneficiada com a flexibilização das medidas de distanciamento e pelo auxílio emergencial , previsto para ser pago até o fim do ano. A dúvida, no entanto, está no comportamento para o quarto trimestre, com um possível fim do programa.

O alto desemprego e a necessidade de crédito na indústria devem pressionar os setores. Quase 10 milhões de trabalhadores perderam o emprego e a renda durante a pandemia, segundo a Pnad Contínua.

Com menos recurso no bolso, a tendência é um consumo menor, o que poderá minar a recuperação da economia principalmente no quatro trimestre, quando se espera que a economia esteja próxima da "normalidade".

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