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Carlos Bassan/Prefeitura de Campinas
FMI diz que países devem recorrer a modelo econômico verde e sustentável


O aquecimento global continua acelerado. O aumento médio da temperatura na superfície da Terra desde a Revolução Industrial é estimado em cerca de 1°C, e acredita-se que esteja se intensificando. Desde os anos 1980, cada década tem sido mais quente do que a anterior um, e os últimos cinco anos (2015-19) foram os mais quentes já registrados, com destaque para 2019. Assim, é urgente que países tomem providências urgentes no sentido de atingir um modelo econômico verde e sustentável. Essas são as conclusões do relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre mitigação de mudanças climáticas, incluído na presente edição da Perspectiva Econômica Mundial.


Segundo o FMI , os cientistas vêm alertando que os aumentos de temperatura em relação aos níveis pré-industriais precisam ser mantidos bem abaixo de 2°C (no máximo 1,5°C) para evitar atingir pontos de inflexão climática e impor grande estresse à natureza e às sociedades, afetando severamente suas economias. O limite foi endossado mundialmente pelos formuladores de políticas no Acordo de Paris de 2015.

Assim, "reduções consideráveis - e rápidas - nas emissões de carbono são necessárias para que este objetivo seja alcançado; as emissões,especialmente de carbono líquido, precisam cair para zero em meados do século", diz o relatório. "As emissões devem ser removidas da atmosfera por meios naturais (por exemplo, florestas e oceanos) ou artificiais (por exemplo, captura e armazenamento de carbono).

Mas as respostas políticas dos países para reduzir os gases de efeito estufa e as emissões têm sido insuficientes até o momento, afirma o documento. Embora a a crise provocada pela pandemia de coronavírus tenha ajudado um pouco a reduzir as emissões, já ficou claro que isso será apenas temporário.

"Sem mudanças políticas, as emissões continuarão a aumentar de forma implacável, e as temperaturas globais podem aumentar entre 2 e 5 graus até o fim do século, atingindo níveis nunca vistos em milhões de anos, levando a resultados catastróficos em todo o planeta", alerta o FMI.

Do ponto de vista da economia , o aquecimento do planeta levará a uma produtividade menor, devido a mudanças no rendimento de safras agrícolas e da piscicultura, por exemplo; à destruição de infraestrutura e edifícios, levando à interrupção da atividade econômica; e tornará muito mais difícil até mesmo trabalhar fora, devido às temperaturas escorchantes.

Isso sem falar do aumento de desastres naturais e de doenças infecciosas. A elevação do nível dos mares poderá ter sérias consequências, também. Tudo isso levará ao "desvio de recursos para adaptação e reconstrução" das economias e sociedades.

Assim, o Fundo recomenda que, para atingir a meta de emissões zero de carbono até 2050 e manter as temperaturas num patamar seguro, é preciso acelerar os investimentos verdes e sustentáveis.

"A janela para atingir o objetivo está se fechando rapidamente", avisa o relatório. "Um impulso inicial de investimento verde combinado com o aumento constante dos custos do carbono proporcionaria a necessária redução de emissões, em uma transição global razoável".

De acordo com o documento, um estímulo fiscal verde fortaleceria a macroeconomia no curto prazo. O custo mais alto das emissões de carbono "incentiva a eficiência energética, além de realocar recursos para atividades" menos poluentes.

No médio prazo, explica o FMI, tal estratégia colocaria a economia global em um caminho de crescimento mais forte e sustentável e evitaria um cataclismo ambiental e econômico.

Manter as temperaturas em níveis seguros requer um esforço global. Se economias como Estados Unidos, China, União Europeia, Japão e Índia agirem em conjunto, "poderão fazer uma grande diferença na redução global de emissões", diz o informe.

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