paulo guedes
José Cruz/Agência Brasil
Guedes planeja transformar o auxílio emergencial em Renda Brasil usando 'sobras' do Bolsa Família neste ano

Diante da resistência do presidente Jair Bolsonaro à revisão de benefícios como o abono salarial para criar o Renda Brasil , o ministro da Economia, Paulo Guedes, estuda transformar a  prorrogação do auxílio emergencial em uma espécie de fase de testes para o novo programa social.

Os repasses seriam bancados pelos recursos que sobraram do Bolsa Família neste ano, já que a maior parte dos beneficiários migrou para o auxílio emergencial.

Ao recorrer a essa estratégia, o governo conseguiria lançar a primeira fase do Renda Brasil ainda neste ano sem arcar com o custo político da acabar com outros programas.

A ideia que está sendo debatida internamente é passar a rebatizar os novos repasses de Renda Brasil já a partir dos próximos meses.

Dessa forma, Guedes atenderia à ordem de Bolsonaro, que quer uma solução alternativa para o Renda Brasil até a próxima sexta-feira (28).

O valor ainda está em discussão, mas técnicos do Ministério da Economia admitem ser possível chegar próximo aos R$ 300, como quer Bolsonaro .

No novo desenho, algumas regras do atual modelo do auxílio seriam alteradas. Um dos pontos em estudo é rever a previsão de que mães chefes de família recebam o benefício em dobro. Assim, o público dessa fase de testes seria mais próximo ao do Renda Brasil definitivo.

O plano de Guedes é criar uma narrativa para que, ao longo dos próximos meses, a discussão passe a ser em torno de reduzir o valor do Renda Brasil . Assim, o discurso passaria a ser o de que a manutenção das regras atuais do abono salarial, por exemplo, significaria uma perda em um programa social que já estaria em vigor.

Enquanto isso, técnicos afirmam que não há muito o que fazer para garantir mais dinheiro ao novo programa no ano que vem. A ideia original dos técnicos do Ministério da Economia é ampliar o Orçamento do Bolsa Família, hoje em R$ 30 bilhões, para R$ 52 bilhões.

Para isso, a ideia é extinguir outros programas sociais, incluindo o abono salarial — que hoje custa cerca de R$ 20 bilhões por ano. Também entrariam nessa conta a revisão de outros programas, como o seguro-defeso, pago a pescadores em período de pesca proibida, que teria impacto de pouco mais de R$ 2,8 bilhões. Há ainda a possibilidade de rever a Farmácia Popular, que custa R$ 2,5 bilhões, possivelmente restringindo o benefício aos mais pobres.

Sem rever esses benefícios, esses técnicos consideram praticamente impossível implantar o Renda Brasil no valor de R$ 300 sem furar o teto de gastos , que impede que as despesas públicas cresçam mais que a inflação. A solução, caso as propostas não avancem, seria reduzir o valor a partir do ano que vem.

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