paulo guedes
José Cruz/Agência Brasil - 3.7.19
Em meio a crise, embate interno pela permanência ou não do teto de gastos pode custar cargo de Paulo Guedes na Economia

A disputa interna do governo  entre os que defendem a manutenção do teto de gastos e aqueles que cobram aumento dos investimentos públicos para sair da crise, que tem o presidente Jair Bolsonaro como centro, pode gerar a demissão de Paulo Guedes, ministro da Economia. Embora integrantes da equipe econômica digam que a possibilidade de saída "não está na mesa", a postura de Bolsonaro de apoiar o teto de gastos e depois recuar incomoda.

O presidente reconhece que precisa gastar para se manter com viabilidade política e seguir com a aprovação popular em alta, como mostra pesquisa do Datafolha divulgada na noite da última quinta-feira (13) . Segundo o levantamento, Bolsonaro atingiu seu auge desde que assumiu, e, como reconhece o vice-presidente Hamilton Mourão , isso se deve ao auxílio emergencial de R$ 600 , pago aos mais afetados pela crise provocada pela pandemia. A aprovação do presidente cresce justamente entre os brasileiros mais pobres.

Guedes, por outro lado, se mantém irredutível na crise e defende o respeito ao teto de gastos. Bolsonaro chegou a acenar ao ministro e dizer que defende o limite do aumento dos gastos públicos à inflação do ano anterior, como prevê a lei do teto , mas, segundo a Folha de S.Paulo , já critica a postura 'inflexível' de Guedes a aliados nos bastidores. O chefe do Executivo sabe que cortar o auxílio e outras medidas emergenciais diminuiria sua popularidade. O 'superministro', porém, tenta convencer Bolsonaro que abrir mão do teto também pode ser perigoso, porque levaria o presidente a uma zona de incertezas e à possibilidade de impeachment.

Após a  'debandada' de secretários de Guedes por conta do andamento da economia brasileira - Salim Mattar, ex-secretário de privatizações, citou o rumo lento das vendas de empresas públicas e a falta de ação do governo nesse sentido como motivo - voltou à tona a discussão sobre uma possível saída do ministro da Economia. Integrantes da equipe econômica negam e reforçam as pautas de Guedes, o controle de gastos e a retomada da agenda de reformas. Na semana passada, especulações diziam que Roberto Campos Neto , presidente do Banco Central, poderia ser uma solução em caso de saída de Guedes do governo .

Segundo entrevista de fontes da equipe econômica à agência Reuters , no entanto, Campos Neto e Guedes compartilham de ideias parecidas e que não há fundamento na especulação. Os membros do time de Guedes dizem ainda que, se o presidente viesse a demitir o ministro da Economia, seu substituto seria alguém determinado a gastar mais, o que não seria o caso do presidente do BC.

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