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Com a pandemia, IBGE passou a fazer pesquisas por telefone, mas há dificuldades

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística  (IBGE) anunciou nesta terça-feira (28) que a divulgação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, a Pnad Contínua, será adiada. O atraso se deve à dificuldade de coleta das informações, que vem sendo feita por telefone desde março devido à  pandemia.

Com isso, os resultados do segundo trimestre sobre mercado de trabalho, que seriam divulgados na quarta-feira, dia 29, será feito apenas em 6 de agosto.

De acordo com o IBGE, a metodologia da pesquisa prevê uma renovação do grupo de entrevistados a cada coleta. Ou seja, a cada mês, é introduzido na amostra um número de domicílios que nunca foram visitados anteriormente. O instituto não tem o contato telefônico dessa nova amostragem. Daí a dificuldade.

"Para ter um acompanhamento de uma pesquisa conjuntural, é necessário ter uma sobreposição de amostra. De um trimestre para o outro, há uma renovação de 20% da amostra. O atraso se deu pela dificuldade de contato com os domicílios", diz o diretor adjunto de pesquisas do IBGE, Cimar Azeredo.

Em maio, o STF vetou a medida provisória (MP) 945 que permitia que empresas de telefonia compartilhassem dados de pessoas físicas e empresas com o IBGE.

Azeredo destaca que o instituto está enviando cartas e motoboys para pedir o contato desses respondentes uma vez que os entrevistadores ainda não estão trabalhando em campo por conta da pandemia.

Além disso, os pesquisadores foram treinados no começo da pandemia para realizar a coleta por telefone. A equipe responsável pela pesquisa destaca a preocupação da manutenção do levantamento estatístico para o acompanhamento das políticas públicas no país.

"Perder a pesquisa seria bastante nocivo para a compreensão de políticas públicas para o mercado de trabalho, educação e trabalho infantil. É a Pnad contínua que dá o raio x disso", afirma Azeredo.

A Pnad Contínua traz informações sobre o mercado de trabalho formal e informal. Nesta terça-feira, o  governo divulgou os dados do Caged de junho, que considera apenas as vagas com cateira assinada.

Foram  fechadas 1,2 milhão de vagas no primeiro semestre, pior resultado desde o início da série, em 1992. Mas o ritmo de demissões caiu: em junho houve corte de 10,9 mil postos de trabalho, bem menos que os 350 mil registrados em maio.

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