Brasil Econômico

Branko Milanovic
Reprodução Roda Viva/TV Cultura
Branko Milanovic, economista, disse que Brasil deve pensar na arrecadação

Nesta segunda-feira (13), o economista Branko Milanovic, coautor do livro "Capitalismo sem rivais – o futuro do sistema que domina o mundo" e especialista no assunto da desigualdade social, afirmou que o trabalho essencial durante a crise da pandemia lembra o feudalismo.


A fala de Milanovic foi durante o programa Roda Viva, da TV Cultura, do qual ele participou nesta segunda-feira. O economista comentava sobre como trabalhadores essenciais ganham menos e têm que enfrentar a pandemia no dia a dia.

"Quase me lembra um sistema do tipo feudal, no qual pessoas de mais baixa renda trabalhavam nas ocupações mais perigosas. As pessoas foram compelidas, as que não conseguem sobreviver, obviamente, sem um salário mensal, a enfrentar uma situação extremamente perigosa", disse Milanovic.

O Brasil na crise da pandemia

Perguntado sobre sua opinião sobre o Brasil na crise, o economista afirmou que é preciso priorizar novas formas de taxação de impostos.

"No Brasil, novas formas de tributação precisam ser encontradas agora, porque estamos num estado de emergência. É quase como uma guerra: para vencer ou sobreviver, é preciso colocar qualquer outra consideração em segundo plano. A economia precisa continuar existindo para as pessoas poderem sobreviver – mas salvar vidas é a prioridade", expressou.


Crise de 2020, crise de 2008

Sobre a crise da pandemia, Milanovic fez uma comparação com a crise global de 2008.

"Na minha opinião, desigualdade social se tornou um assunto importante por conta da crise de 2008. O que aconteceu, no Brasil, foi que houve uma espécie de 'parada' ou uma diminuição no crescimento, que revelou certas características do sistema – incluindo o fato de que a classe média não ganhou muito, na verdade, um fato que vinha sendo mascarado pelo acesso ao crédito até 2008. As 'falhas geológicas' do sistema foram reveladas claramente, por conta da crise. Algo parecido está acontecendo agora, quando as falhas dos sistemas – como nos sistemas de saúde – estão sendo muito reveladas por essa crise. [Em 2008] as pessoas perceberam que não ganharam muito com a globalização, enquanto que o 1% mais rico tinha ganhado enormemente."

Disputa entre China e EUA

"Com a pandemia, a competição entre Estados Unidos e China se tornou muito mais acirrada e óbvia a todos. Parte disso é porque a pandemia começou na China e porque a pandemia deu destaque às reações à pandemia na China e nos EUA", disse Milanovic. Para ele, a reação dos EUA à pandemia foi desastrosa porque o modelo do país é o do capitalismo meritocrático.

"Se fosse uma guerra, seria diferente", expressou ele sobre as ações dos EUA. Por outro lado, disse que a China soube conter a pandemia, mesmo com os erros iniciais, pela presença do estado na sociedade.

O capitalismo tem futuro?

Sobre sua influência marxista, Milanovic afirma que seu livro é de esquerda. "Eu vejo o livro como um livro de esquerda. O que confunde as pessoas é que eu digo que o capitalismo agora é o único modo de produção", afirmou.

Mas, sobre o fim do capitalismo, o autor disse que "Há possibilidade de que o trabalho braçal possa parar de desempenhar o papel que tem agora. Então, há possibilidade de que no futuro nos vejamos algo diferente do capitalismo."


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