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Maryanna Oliveira/Câmara dos Deputados
Presidente da Câmara citou propostas de Guedes sobre privatização

presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse nesta terça-feira, em videoconferência da corretora Genial Investimentos, que o Congresso "dificilmente" vai aprovar alguma privatização este ano.


Apesar de o ministro da Economia,  Paulo Guedes, ter sugerido que haverá "quatro grandes privatizações em 90 dias", Maia elencou as dificuldades para que esses projetos saiam do papel.

Ele citou o  adiamento das eleições como um dos fatores que podem atrapalhar as negociações, além da resistência do próprio Palácio do Planalto em encarar o tema.

O presidente da Câmara também lembrou que a  proposta mais avançada, a venda da Eletrobras, travou por causa de resistências no Senado. Sem citar a fala recente de Guedes, Maia analisou o ambiente político no Legislativo.

— Com eleição em novembro, eu acho difícil que alguém vote privatização este ano. Somado a isso, no Senado (há resistência). A única (privatização) que está na Câmara é a Eletrobras. E, desde o ano passado, alguns senadores muito importantes têm deixado bem claro que são contra a privatização da Eletrobras. Isso tira ainda mais as condições de a matéria avançar — disse.

Apesar da vontade de Guedes, Maia afirma que não há empenho por parte do presidente Jair Bolsonaro em levar adiante esta agenda.

— Não vejo outra privatização sendo apresentada pelo governo. Não vejo. Os  Correios poderiam ser um bom debate. Talvez seja melhor tentar regular o setor de logística no Brasil, do qual fazem parte os Correios, para que você tenha no Brasil um mercado mais aberto, mais livre para todos, para um número maior de empresas. Acho que a  privatização dos Correios, não vejo o governo com intenção de encaminhar. Pelo menos o presidente não disse nada diferente — acrescentou.

O presidente da Câmara também disse não ver indícios de que o governo esteja disposto a enfrentar a discussão da privatização de  bancos públicos e a Petrobras.

— As grandes privatizações teriam um impacto maior, que era repensar a questão dos bancos públicos, da Petrobras, não vejo isso como uma agenda do Palácio do Planalto. Pode ser a agenda de uma parte do Ministério da Economia, mas, do meu ponto de vista, estou dando minha opinião, não tenho grandes informações, não é parte da agenda do Palácio do Planalto, pela composição que o palácio tem hoje.

Ao ser questionado sobre o assunto na videoconferência, Maia indicou que a agenda mais importante do momento são as reformas tributária e administrativa.

— A  reforma tributária a eleição não atrapalha, ajuda, até porque é a primeira vez que temos um ambiente em que quase todos os entes federados estão a favor da reforma, tirando algumas capitais, como São Paulo, que representa 30% do ISS do Brasil. (Neste caso) tem que se pensar numa solução (...) A reforma administrativa, não vejo como um problema, um entrave, ela não vai enfrentar os atuais servidores. Seria bem razoável (votar este ano), não apenas porque vai gerar uma economia, certamente a partir do terceiro, quarto ano, já que você está tratando só dos novos (servidores), mas pode trazer um componente importante, que é gerar uma competição entre servidores do modelo atual e os novos.

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