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Agência Brasil
Presidente Jair Bolsonaro lamentou mortes pela Covid-19, mas disse que "vai morrer muito mais se economia continuar sendo destroçada"

Em mais uma série de críticas às medidas de isolamento social adotadas por governadores e prefeitos no enfrentamento ao novo coronavírus (Sars-Cov-2), o presidente Jair Bolsonaro afirmou que "o Brasil está quebrando" e que, se isso ocorrer, a economia não se recupera, "como alguns dizem". Bolsonaro complementou comparando a situação do Brasil no futuro à de países da África sub-saariana e lamentou o número de mortes em decorrência da Covid-19, mas disse que, se a economia continuar sendo destroçada, haverá muito mais mortos.

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"O Brasil está quebrando. E depois de quebrar, não é como alguns dizem, "ah, a economia recupera". Não recupera. Vamos ser fadados a viver em um país de miseráveis, como tem alguns países da África sub-saariana. Nós temos que ter coragem de enfrentar o vírus. Está morrendo gente? Tá. Lamento? Lamento, lamento. Mas vai morrer muito, muito, mas muito mais se a economia continuar sendo destroçada por essas medidas (dos governos locais)", afirmou Bolsonaro .

Segundo o presidente, o lockdown , que consiste no endurecimento do isolamento e a restrição a sair na rua apenas para serviços essenciais, é o caminho do fracasso, que levaria à decadência da economia brasileira.

"O Brasil está se tornando um país de pobres . O que eu falava lá atrás, que era esculachado, estão vendo a realidade agora aí. Pra onde está indo o Brasil? Vai chegar um ponto que o caos vai se fazer presente aqui. Essa história de lockdown, "vamos fechar tudo", não é esse o caminho. Esse é o caminho do fracasso, quebrar o Brasil. Governador, prefeito, que porventura entrou nessa onda lá atrás, faça como eu já fiz algumas vezes na minha vida, se desculpa e faça a coisa certa", declarou Bolsonaro na saída do Palácio da Alvorada.

O presidente destacou ainda que os cerca de 38 milhões de trabalhadores informais "já perderam quase tudo" e que os celetistas também estão perdendo. E apontou a possibilidade de a crise impedir o pagamento do funcionalismo público, criticando quem acha que poderá ter aumento em 2020 ou 2021.

"Vai faltar dinheiro para pagar servidor público . Ainda tem servidor, alguns, achando que quer ter possibilidade de ter aumento nesse ano ou no ano que vem. Não tem cabimento. Não tem dinheiro", disse, completando: "A gente vê o pessoal mais pobre em São Paulo continua, naquela periferia, no Rio também tenho imagens, continua todo mundo se movimentando. É só na classe média alta que está tendo esse problema grave do comércio. Tem que reabrir. Nós vamos morrer de fome. A fome mata. A fome mata. Então é o apelo que eu faço a governadores: revejam essa política. Eu tô pronto para conversar. Vamos preservar vidas? Vamos. Mas dessa forma o preço lá na frente serão centenas de milhares de vidas que vamos perder, por causa essas medidas absurdas de fechar tudo", disse.

Questionado sobre o que explica o Brasil ter mais de 13 mil mortes confirmadas pelo novo coronavírus e a Argentina, país vizinho, ter registrado 329 óbitos, Bolsonaro argumentou que "é só você fazer a conta por milhão de habitantes". Mas interrompeu seu raciocínio subitamente e pediu para falar da Suécia, que não adotou quarentena, mas registrou 3.529 mortes, menos do que outros países europeus com regras de isolamento mais severas.

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"A Suécia não fechou. Pronto. A Suécia não fechou. Você tá defendendo... com toda certeza já entrou para a ideologia, você pegou um país que está caminhando para o socialismo, que é a Argentina. Outra pergunta aí", pediu o presidente.

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