O co-presidente do conselho de administração do banco Itaú , Roberto Setubal , afirmou nesta quinta-feira que a pandemia do novo coronavírus (Sars-Cov-2) acabará derrubando diversas empresas, mas companhias com negócios viáveis conseguirão vencer a pandemia.

Turismo mundial enfrenta a pior crise da história, diz OMT

"Certamente teremos grandes empresas e atividades vencedoras e outras que irão declinar. A gente precisa aceitar esse ajuste nas novas demandas. Não dá para salvar todo mundo",  afirmou o executivo.

Roberto Setúbal (presidente do itaú) e Pedro Moreira Salles (presidente do unibanco) falam sobre a fusão dos dois bancos
AP
Roberto Setúbal (presidente do itaú) e Pedro Moreira Salles (presidente do unibanco) falam sobre a fusão dos dois bancos


Na avaliação do executivo, o foco da ajuda às empresas, neste momento, precisa ser nas companhias de menor porte.

"Precisamos de mecanismos para que as pequenas empresas que têm negócios viáveis passem por essa crise, como linhas de crédito . A pequena empresa não tem outra fonte de capital, o pequeno empresário depende do apoio do banco, do governo. As grandes empresas devem se ajustar através de mecanismos de mercado. Quem tem um negócio viável, mesmo com perdas durante a pandemia, vai voltar a ter um negócio viável depois. Evidente que a Bolsa está num nível muito mais baixo. Mas faz parte da vida. No capitalismo não há garantia de retorno ou estabilidade", afirmou.

Enfrentamento

Setubal também comparou as estratégias de enfrentamento da crise econômica adotadas por Estados Unidos , Europa e Brasil . Com mais de 20 milhões de desempregados, aumento de cerca de 10% nas taxas de desemprego e expressiva ajuda econômica do governo para a nova massa de desempregados, Setubal aposta que a economia americana se ajustará mais rapidamente à nova realidade.

Enquanto isso, países que optaram por preservar empregos e auxiliar empresas – mesmo as que deixaram de ter negócios viáveis, segundo ele – podem experimentar uma retomada mais lenta:

"O ajuste na Europa provavelmente será mais doloroso e longo porque a economia não se reajustará tão rapidamente. Vamos ter que passar por isso no Brasil , alguns setores serão ampliados e outros reduzidos. É uma parte da vida pós-corona que tem que acontecer. Gera dificuldades para muita gente, mas oportunidades também", afirmou. 

Corte de juros

A redução de juros em meio à crise, como a anunciada na oquarta-feira pelo Banco Central , é uma medida positiva para a redução do custo financeiro e endividamento das empresas, segundo Setubal. Mas deve manter o real desvalorizado.

Bolsonaro defende reabertura da economia e quer ampliar atividades essenciais

"O câmbio mais desvalorizado veio para ficar. Vamos conviver agora com um real mais desvalorizado e os ajustes que isso trará para a economia, como incentivo a exportação. Teremos que saber ajustar a economia para esse novo patamar de câmbio", 

Setubal também criticou a decisão do Congresso de reduzir o congelamento de salários de servidores proposto pelo Ministério da Economia .

"O Brasil inteiro está perdendo renda e o setor público programando aumento para os próximos anos. Sua parcela vai aumentar proporcionalmente em relação ao privado, que está perdendo renda e vai ter que pagar mais impostos para sustentar o setor público. É uma negação total de tudo o que está acontecendo no país", disse. 

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira, em Brasília , que irá vetar a possibilidade de aumento de salário de servidores.

    Veja Também

      Mostrar mais