Preço do petróleo despenca nos EUA com crescimento de estoques
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Preço do petróleo despenca nos EUA com crescimento de estoques

O preço do petróleo leve americano (WTI, na sigla em inglês) chegou a cair 40% nesta segunda-feira (20), para US$ 10,96 o barril, com o aumento dos estoques nos Estados Unidos. É o menor patamar desde 1998 e a maior queda de preço em apenas um dia desde 1982, segundo a agência Bloomberg .

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O aumento dos estoques reflete a menor demanda pela commodity, devido à pandemia do novo coronavírus (Sars-Cov-2) e como se mostrou ineficaz o acordo da Opep e aliados para o corte de cerca de 10 milhões de barris de petróleo, há duas semanas.

A Administração de Informações sobre Energia dos EUA informou nesta segunda que o estoque de petróleo cresceu em 19,2 milhões de barris na semana passada. A alta foi verificada especialmente no terminal de Cushing, em Oklahoma, no sul dos EUA, considerado um dos mais importantes do país.

A queda acentuada dos preços também resulta da data final de contratos para entrega em maio, que expira nesta terça-feira. Isso significa que os que assinaram esses contratos têm de encontrar compradores físicos para o petróleo até esta terça-feira.

O contrato para entrega do WTI para junho teve queda menor nesta segunda, de 13%, para US$ 21,80 o barril - os contratos com vencimento para dois meses são negociados.

Já o petróleo tipo Brent , negociado em Londres e referência para o mercado internacional caía 3,77%, por volta do meio-dia, a US$ 27,02.

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Sukrit Vijayakar, analista da Trifecta Consultants, destaca que as refinarias americanas não conseguem transformar o petróleo cru de maneira suficientemente rápida, o que explica por que há menos compradores e, ainda assim, as reservas continuam aumentando.

"Acredito que, em breve, voltaremos aos menores níveis desde 1998, por volta dos US$ 11", afirmou Jeffrey Halley, analista de mercados da Oanda.

Excesso de oferta

A crise na cotação foi intensificada depois que a Arábia Saudita, membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo ( Opep ), iniciou uma guerra de preços com a Rússia, que não integra o cartel, mas é aliada.

Os dois países encerraram a disputa no início do mês, quando aceitaram, ao lado de outros parceiros, reduzir a produção em 9,7 milhões de barris diários para estimular os mercados afetados pela Covid-19 .

Ainda assim, os preços continuam em queda. Analistas consideram que os cortes não são suficientes para compensar a forte redução da demanda.

"Os preços do petróleo continuarão sob pressão", destaca o banco australiano ANZ, em comunicado. "Embora a Opep tenha aceitado uma redução sem precedentes na produção, o mercado está inundado de petróleo".

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