BNDES
Valter Campanato/ABr
Gustavo Montezano, presidente do BNDES, fez live no último domingo para anunciar socorros conta crise

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico  (BNDES), Gustavo Montezano, em live promovida pelo Itaú BBA, afirmou no domingo (19) que as operações de socorro para grandes empresas de setores afetados pela quarentena para combater o coronavírus, como aéreo, automotivo, varejo não alimentício e setor elétrico, devem ser liquidadas no mês que vem.

— Até momento, as operações desses grandes setores aéreo, automotivo, varejo não alimentício e setor elétrtico, estão em curso. Pretendemos que, no mês de maio, várias dessas operações comecem a ser liquidadas. Estão em discussão outros setores somente de grandes empresas, pelo critério de relevância, quanto efetivamente foi impactado pela crise, mas não deve passar de nove a dez setores. A ideia é ser bem concentrado para ser efetivo — afirmou Montezano.

Sobre o pacote de R$ 55 bilhões já anunciado, o presidente do BNDES lembrou que R$ 20 bilhões foram para o FGTS, para permitir o saque de mil reais para os trabalhadores. Os outros 35 bilhões foram para o refinanciamento de seis meses da nossa carteira direta e indireta do banco.

Nesse socorro, segundo Montezano, há entre R$ 9 bilhões e R$ 10 bilhões em protocolo, já em processamento, o que representa 50% da potencial demanda do crédito direto do banco.

Nas linhas que são concedidas de maneira indireta, por meio de parceiros em outros bancos, a velocidade é outra. Apenas 15% chegaram a ser renegociados, de uma demanda estimada em R$ 11 bilhões

— Essa situação é natural, todo o sistema bancário está com aversão a risco. Estamos acompanhando de perto. Estamos trabalhando com seguro de crédito para destravar as operações. Não está na velocidade adequada, precisa dar uma acelerada.

Para o sistema de saúde, outro pilar de atuação do BNDES, de acordo com seu presidente, já houve demanda de R$ 700 milhões, para linha de R$ 2 bilhões. O próprio setor de saúde público e privado deve ser monitorado pelo banco:

— Existe uma discussão de qual será o dia seguntie do sistema de saúde público e privado. Houve tratamento represado. Potencialmente o setor de saúde vai requerer atenção especial. Ele vai sentir bastante, apesar da sobredemanda que está sentindo agora.

O cronograma de concessão para saneamento de quatro estados que estão sendo tocados pelo banco em Alagoas, Acre, Amapa e Rio de Janeiro está mantido, e o presidente diz ser possível fazer as operações ainda este ano.

—Em termos de saneamento, quatro estados estão avançados, Alagoas, Amapá, Acre e Rio de Janeiro. Pelo menos para Alagoas e Rio, a orientação é manter os cronogramas. Mas o banco tem condições de colocar de pé, não só do Rio, como dos quatro estados ainda esse ano. Pode haver problema de deslocamento, de o investidor não poder viajar, mas não perder esse apetite. Nossa linha é manter essa agenda de infraestrutura mais dentro da linha de tempo possível. No Rio, tudo indo bem, dá para fazer esse ano ainda.

O programa de desinvestimento do banco, com a venda das ações de participações em empresas está suspenso por enquanto, "até o mercado conseguiir fazer as contas".

A instabilidade nos mercados impede que se negocie os papéis nesse momento, mas Montezano afirmou que, passada a crise, essa venda de ações vai acontecer. Assim como os planos para privatizar a Eletrobrás e os Correios. As equipes continuam trabalhando nas operações, informou.

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BC: Melhora a partir do 4º trimestre

Em Brasilia, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que a economia brasileira vai começar a melhorar só a partir do quarto trimestre deste ano, e que apenas nos próximos três meses será possível avaliar a extensão do estrago da crise do coronavírus no país, segundo o site Poder360 publicou neste sábado.

“Eu acho que o último trimestre vai mostrar melhoras. Obviamente de uma base muito baixa. Agora a dúvida é o terceiro trimestre, o quanto vai ser impactado”, disse o presidente do BC, na entrevista.

Campos Neto também afirmou que o Banco Central apresentará sua estimativa para a economia em comunicado oficial em breve, e que ela dependerá dos efeitos do isolamento social por causa do novo vírus.

“Eu acho que as pessoas que hoje fazem conta de quanto vai ser o crescimento brasileiro estão estimando quanto tempo vai ficar parado e como vai ser essa parada. Eu acho que nunca esteve tão difícil fazer previsão de crescimento, porque é um fenômeno muito diferente, muito novo, a gente não viu”, disse.

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