extrema pobreza na américa latina
Divulgação/Banco Mundial
G20 vai suspender o pagamento da dívida dos 25 países mais pobres do mundo até o fim do ano

Os ministros das Finanças e os presidentes dos bancos centrais do G20 aprovaram nesta quarta-feira (15) a suspensão provisória dos pagamentos do serviço da dívida dos 25 países mais pobres do mundo, incluindo Guiné-Bissau e Moçambique, num esforço para liberar recursos para que as nações combatam o novo coronavírus (Sars-Cov-2), anunciaram em comunicado divulgado após uma reunião virtual.

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A suspensão da dívida vai durar de 1º de maio até o fim do ano, mas os credores considerarão uma possível extensão, disse o G20 .

"Apoiamos uma suspensão no prazo dos pagamentos do serviço da dívida para os países mais pobres que solicitam tolerância", afirmou o grupo, que coletivamente responde por cerca de 85% da produção global.

O G20 observou que o acordo foi "aprovado pelo Clube de Paris", formado por grandes credores, entre eles o Fundo Monetário Internacional ( FMI ) e Banco MUndial.

"Todos os credores bilaterais oficiais participarão desta iniciativa", acrescentou o G20, que pediu aos credores privados que se unissem à iniciativa.

A medida faz parte dos esforços para incentivar a economia global em meio à pandemia do novo coronavírus , que está empurrando a economia global para a pior crise desde a Grande Depressão.

O apoio do G20 a uma suspensão a curto prazo dos pagamentos da dívida por países pobres é fundamental porque o grupo contém alguns dos maiores credores governamentais desses países, com destaque para a China, um dos principais financiadores por meio de sua Iniciativa Belt and Road.

O Instituto de Finanças Internacionais estima que os países mais pobres do mundo tenham cerca de US$ 140 bilhões em obrigações de serviço da dívida do governo geral até o fim do ano, incluindo US$ 10 bilhões em moeda estrangeira. Esse cálculo inclui todos os tipos de dívida, a credores privados e públicos, nacionais e estrangeiros, de curto e longo prazo.

O instituto - uma associação comercial global que considera os maiores bancos e instituições financeiras do mundo como membros - disse na semana passada que estava disposto a aderir a uma suspensão temporária do pagamento da dívida para os países pobres.

A iniciativa "fornecerá cerca de US$20 bilhões em liquidez imediata" para os países pobres usarem "para seu sistema de saúde e para apoiar as pessoas que sofrem de Covid-19 ," afirmou o ministro das Finanças da Arábia Saudita, Mohammed Al-Jadaan, em coletiva de imprensa virtual.

A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, e o presidente do Banco Mundial, David Malpass, elogiaram o novo acordo de alívio da dívida do G20.

Georgieva disse acrescentou que o Fundo está empregando todos os recursos existentes e que pretende triplicar seu financiamento de concessão para os países mais pobres.

"Temos o apoio total dos membros à ofensiva para aumentar a capacidade de financiamento de concessão do FMI. Nossa meta é triplicar o que fazemos para esses países", disse ela em uma entrevista coletiva realizada por videoconferência, acrescentando haver "consenso emergente" para usar os Direitos Especiais de Saque existentes para permitir mais empréstimos aos países em desenvolvimento.

Alemania elogiou o acordo do G20, classificando-o como "um gesto de solidariedade internacional de dimensões históricas".

"Desta forma, deixamos aos países afetados uma grande margem de manobra financeira oara investir na proteção sanitária de suas populações", afirmou o ministro de Finanças alemão, Olaf Scholz.

Na terça-feira, os poderes industriais do G7 eram a favor de uma suspensão temporária do pagamento da dívida das nações mais pobres do mundo, sujeitas ao acordo do G20, para apoiar a luta contra o coronavírus.

"Estamos determinados a não poupar esforços para proteger vidas humanas", disse Mohammed al-Jadaan, ministro das Finanças da Arábia Saudita.

Al-Jadaan afirmou ainda que, neste período de pandemia, é necessário sustentar a economia mundial o máximo possível e garantir a resiliência do sistema financeiro.

"Devemos continuar nossos esforços e expandi-los", acrescentou.

Muitos governos criaram planos de estímulo econômico de bilhões de dólares para mitigar o impacto do coronavírus, que paralisou a economia mundial.

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Desde o início da pandemia , que surgiu na China em dezembro, mais de dois milhões de casos de contágio foram registrados em 193 países ou territórios.

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