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Profissionais da saúde serão contratados


A Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) , estatal vinculada ao Ministério da Educação , deu início a uma seleção de emergência de até 6,3 mil profissionais para 37 hospitais universitários federais, em 23 unidades da federação. A iniciativa foi considerada pelo presidente da empresa como uma "estratégia de guerra".

Estão autorizadas as contratações de 900 médicos , 1,4 mil enfermeiros , 3 mil técnicos em enfermagem , 500 fisioterapeutas e 100 engenheiros e arquitetos . Estes últimos profissionais serão responsáveis por alterar a estrutura dos prédios de hospitais universitários que planejam transformar salas administrativas em espaços com mais leitos para pacientes com o novo coronavírus (Sars-CoV-2).

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Com autorização do Ministério da Economia , a Ebserh optou por um processo seletivo emergencial , em substituição a um concurso público , como forma de acelerar as contratações diante da perspectiva de agravamento da crise da pandemia do novo coronavírus no Brasil. O processo foi iniciado nesta quarta-feira (1º), e vai durar apenas seis dias, até a próxima segunda-feira (6). Serão avaliados títulos de formação acadêmica e experiência profissional. O resultado já será divulgado dois dias depois, na quarta-feira (8).

"É uma estratégia de guerra , mesmo. Para cada leito, são necessários de cinco a sete profissionais. E esta crise vai longe ainda", afirma o presidente da Ebserh, Oswaldo Ferreira, general da reserva do Exército.

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Os 40 hospitais que integram a rede sob a responsabilidade da Ebserh têm, hoje, quase 9 mil leitos. A ideia é criar mais mil leitos para atender pacientes com Covid-19, vindos de outros hospitais.

A Ebserh trabalha com a perspectiva de que profissionais de saúde de seu quadro efetivo terão de ser afastados em razão da infecção com o novo coronavírus. Esta é uma das razões, segundo a estatal, para a contratação emergencial de novos profissionais. No primeiro dia de abertura do edital, 60 mil pessoas se inscreveram interessadas nas vagas.

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O processo seletivo tem duração de um ano, podendo ser prorrogado por mais um ano, como consta no edital. A Ebserh sustenta que a seleção tem caráter temporário e só vai durar enquanto existir o estado de calamidade pública pedido pelo presidente Jair Bolsonaro e autorizado pelo Congresso Nacional . O decreto de calamidade tem validade até 31 de dezembro deste ano.

O edital para contratação de novos profissionais pode ser revogado ou anulado a qualquer momento, total ou parcialmente, segundo as regras tornadas públicas pela estatal. Este processo não interfere em concursos em andamento, conforme a Ebserh.

"Os 6,3 mil são uma estimativa. Teremos baixa nos nossos hospitais, dentre os 54 mil profissionais existentes. Precisamos estar preparados e não podemos ser surpreendidos", diz o presidente da estatal.

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Segundo Ferreira, a estatal recebeu um aporte de R$204 milhões extras para lidar com os efeitos da pandemia do novo coronavírus . Do total, R$154 milhões são para custeio - com a compra de máscaras e luvas, por exemplo - e R$50 milhões, para equipamentos.

Falta de insumos

O general diz que os h ospitais universitários também estão encontrando dificuldades para obter insumos, um problema repisado pelo Ministério da Saúde diante da alta demanda planetária e da concentração de fabricação desses produtos na China .

"De toda forma, precisamos de reserva de gente e de poder contratar, para suprir a demanda que está por vir", afirma Ferreira. 

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O edital coloca restrições para a contratação e as relaciona a grupos de risco na pandemia. "A presente seleção tem como objetivo a formação de cadastro de profissionais de nível superior e técnico para triagem e atendimento direto ou indireto aos pacientes confirmados ou suspeitos de coronavírus", cita.

O edital veda a participação de candidatos com 60 anos ou mais; com diabetes; com insuficiência renal crônica; com doença pulmonar obstrutiva crônica, enfisema, asma moderada ou grave ou tuberculose; com doenças cardíacas graves; imunodeprimidos; obesos mórbidos; com cirrose ou insuficiência hepática; gestantes ou lactantes de crianças de até um ano de idade; e cuidadores ou pessoas que vivem no mesmo espaço de quem teve diagnóstico positivo para a Covid-19.

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