O aumento do número de casos do novo coronavírus no Brasil fez com que o IBGE decidisse adiar o Censo Demográfico deste ano para 2021. A decisão foi tomada nesta terça-feira pelo instituto.

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O levantamento, que foi feito pela última vez em 2010, seria iniciado em 1º de agosto e já havia iniciado o processo de contratação dos agentes censitários e recenseadores. O processo seletivo está suspenso por tempo indeterminado.

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Segundo o IBGE , a decisão leva em consideração a natureza de coleta da pesquisa, domiciliar e predominantemente presencial, com estimativa de visitas de mais de 180 mil recenseadores a cerca de 71 milhões de domicílios em todo o território nacional. Mais cedo, o instituto já havia divulgado a paralisação da coleta domiciliar da Pnad Contínua, que analisa o desemprego no país, a partir do mês de março.

No comunicado, o IBGE alega “impossibilidade” de realização, em tempo hábil, de toda a cadeia de treinamentos para a operação censitária, cuja primeira etapa se iniciaria em abril de 2020, de forma centralizada, com os treinamentos.

O conteúdo seria replicado e repassado aos polos regionais e locais até o mês de julho. Em março, parte dos equipamentos e testes que seriam utilizados na pesquisa estavam sendo testados na cidade de Paulo de Frontin, no interior do Estado do Rio.

Para José Eustáquio Alves , professor aposentado da Escola Nacional de Ciências Estatísticas do IBGE , o adiamento do Censo faz com que informações essenciais deixem de ser produzidas, deixando desatualizadas outras estatísticas que utilizam o levantamento demográfico como base. No entanto, considera que, diante do cenário, era impossível a realização da pesquisa.

"Não fazer o Censo é prejuízo para o Brasil e para o IBGE , mas é uma emergência. Nesse período, o IBGE teria que treinar mais de 200 mil agentes. Com a epidemia se espalhando, seria praticamente impossível. Mesmo que a epidemia seja controlada, ela não vai desaparecer. Ninguém ia querer receber as pessoas em casa por isso", afirma.

'A pandemia está matando pessoas e estatísticas'

Segundo ele, a paralisação da Pnad Contínua e possivelmente de outras pesquisas do IBGE pode deixar o país sem indicadores que permitam enxergar o impacto da pandemia na economia brasileira.

"A pandemia está matando pessoas e as estatísticas. Em termos econômicos, estamos indo para uma recessão inédita. se continuar desse jeito, não teremos dados para saber o tamanho do desemprego . Rais e Caged (levantamento feito pelo Ministério da Economia ) só monitoram o emprego formal, e hoje há muitos informais", exemplifica.

Com a decisão, os recursos que seriam utilizados para a realização do Censo serão realocados para o Ministério da Saúde , em prol das ações de enfrentamento ao novo coronavírus. Em contrapartida, a pasta comandada por Henrique Mandetta realocará o orçamento no mesmo montante, com vistas a assegurar a realização do levantamento.

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Inicialmente, estavam previstos R$ 3,1 bilhões, mas o valor foi atualizado para R$ 2,3 bilhões. Do total, apenas R$ 1,4 bilhão está garantido no orçamento. O restante ainda dependia de aprovação do Congresso Nacional .

No novo cronograma , o próximo Censo terá como data de referência o dia 31 de julho de 2021 , com coleta de dados prevista entre 1º de agosto e 31 de outubro de 2021 . Os candidatos que já pagaram inscrição serão reembolsados. As orientações serão publicadas nos próximos dias.

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