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Entre os motivos para o impulso nos negócios, especialistas citam a liberação do saldo nas contas do FGTS e os juros nas mínimas históricas

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Foto: Divulgação
Black Friday sinaliza sólida recuperação

Uma semana após o turbilhão de ofertas dos mais variados produtos durante a Black Friday, no último dia 29 de novembro, o desempenho das vendas em 2019 foi além das expectativas para o setor empresarial no Brasil .

Entre os principais motivos para o impulso nos negócios, segundo os especialistas, estão a liberação do saldo nas contas do FGTS e os juros nas mínimas históricas.

No Brasil, o recorde de vendas ficou por conta do varejo online , que faturou R$ 3,2 bilhões na Black friday 2019 , segundo dados da Ebit-Nielsen. O número é 23,6% maior ao registrado no mesmo período do evento em 2018, quando as vendas totalizaram R$ 2,6 bilhões. A empresa estimava alta de 18%.

Já o grupo Via Varejo, dono das marcas Casas Bahia, Ponto Frio e Extra , faturou R$ 1,1 bilhão somente na sexta-feira (29), segundo a companhia. O diretor de e-commerce do Magazine Luiza, Eduardo Galanternick, não revelou os números da empresa nas vendas físicas e online, mas contou que o crescimento foi acima da média do mercado.

“Foi uma Black Friday bem superior ao ano passado, tanto no site quanto nas lojas. Foram mais de dois milhões de pedidos na sexta-feira. O nosso comércio eletrônico ficou com mais de 50% das vendas, acima da participação que vínhamos tendo”, disse Frederico Trajano, presidente do Magalu, em entrevista ao Valor Econômico. 

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Eduardo Fregonesi é CEO da Synapcom , empresa com especialidade em e-commerces, e diz que o mercado da Black Friday acompanha uma reação da economia no País.

“Eu considero que esse ano tivemos um forte crescimento, principalmente porque o mercado está mais maduro para oferecer uma Black Friday eficiente. O preparo teve início com três meses de antecedência, foram mais estoques, mais ofertas e o consumidor ficou mais confiante na compra”, avalia. 

Os itens mais procurados estavam na categoria de moda e acessórios , entretenimento, beleza, perfumaria e saúde, eletrodomésticos e telefonia. Esses foram os mais representativas, segundo o Compre&Confie.

E-commerce em alta

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Varejo online fatura R$ 3,2 bilhões na Black Friday

No comércio eletrônico, modalidade na qual a empresa de inteligência de mercado ‘Compre&Confie’ esperava R$ 3,1 bilhões, o movimento consolidado chegou a R$ 3,87 bilhões nos dias 28 e 29 de novembro – valor 30,9% acima do que no mesmo período do ano passado.

Já a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (Abcomm) revela números mais conservadores – R$ 3,5 bilhões –, mas, ainda assim, 20% maior do que em 2018.

Para o vice-presidente da Abcomm, Rodrigo Bandeira, o segmento eletrônico é o que mais cresce no Brasil nos últimos anos. “Isso acontece por causa da internet e o aumento da confiança do cliente nas lojas. Ou seja, o canal de compras se consolidou”, diz.

A estimativa feita pela associação era de um crescimento de 18% e os números foram maiores. 

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Bandeira destaca ainda que o dia de vendas foi um sucesso e vai inspirar muitas pessoas a entrar na onda nos próximo anos, sejam empresários ou clientes.

“Um ponto interessante é que antigamente as vendas eram concentradas em um determinado dia, mas atualmente as lojas já se antecipam e também prorrogam o prazo. É a semana da Black Friday e até o mês”, pontua. 

Pedidos via mobile têm alta de 103%

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A EbitNielsen identificou que 55% dos pedidos foram feitos a partir de celulares

As vendas durante a Black Friday também confirmam a tendência do consumidor de comprar por meio de dispositivos móveis, sejam tablets ou celulares. 

Nas 48 horas entre a quinta e a sexta-feira, a Ebit-Nielsen identificou que 55% dos pedidos foram feitos a partir de celulares . Na comparação com 2018 (35%), a alta foi de 103%.

O faturamento via mobile neste ano chegou a R$ 1,7 bilhão, enquanto nos mesmos dias do ano passado foi de R$ 830 milhões, uma expansão de 95%. O tíquete médio para a compras por esse meio foi de R$ 574, frente aos R$ 552 do ano anterior, alta de 4%.

Para Eduardo, CEO da Synapcom, do mesmo jeito que as empresas físicas se preparam para o fim do ano e especificamente a semana da Black Friday , ao contratar funcionários temporários, as varejistas com venda online melhoraram as ferramentas do portal de compras pela internet.

“Esse dado da alta da compra via telefones, também é pelo investimentos em bons aplicativos já que hoje em dia as pessoas têm cada vez mais smartphones em mãos”. avalia. 

Mas, o CEO destaca que esse não é um comportamento exclusivo da Black Friday , mas do e-commerce de uma forma geral.

“A cada ano, as compras aumentam pelo mobile porque as empresas se preparam para isso. Antes, a maioria dos sites das grandes varejistas não eram responsivos, ou seja, quando o cliente abria a página da loja no celular, a formatação não se adequava à nova tela. Isso, claro, gerava desconforto visual na momento da compra. Sem contar que muitos sites ficavam sobrecarregados e exibiam muitas mensagens de erro devido ao número de acessos”, lembra. 

Mas, com a profissionalização das compras pela internet, Eduardo pontua que é natural o crescimento de vendas pelo telefone.

“A Black Friday no Brasil começou com o on-line e o depois foi para o físico. Mas, aqui o forte sempre foi o on-line principalmente porque as pessoas conseguem comparar preço com mais facilidade e isso ajuda na decisão do consumidor”, explica.


Recorde: Correios posta em um dia mais de 2 milhões de objetos

Para os Correios, na segunda-feira (2) , a empresa recebeu o maior número de encomendas da história. Foram mais de 2 milhões de objetos postados em um único dia. No ano passado, a marca foi de 1,5 milhão de encomendas.

Ainda de acordo com o vice-presidente da Abcomm, as encomendas despachadas para a entrega com eficiência já na segunda-feira é mais uma etapa da preparação das empresas do e-commerce. “Os menores problemas com as transportadoras fortalecem ainda mais a compra via online pelos clientes”, diz. 

Reclamações

Apesar dos bons ventos, as reclamações também foram uma constante na Black Friday deste ano. De acordo com o último levantamento do site Reclame Aqui, foram 50% mais reclamações do que em 2018, 7.100 reclamações, frente as 5.607 de 2018.

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O principal motivo das queixas é a propaganda enganosa, com 32,03% do volume. Logo depois, aparecem os problemas na finalização da compra (11,37%), divergência de valores (8,28%), por conta das promoções antecipadas que algumas marcas proporcionaram, atraso na entrega aparece em quarto lugar, com 6,24% e em quinto lugar, estorno do valor pago (4,54%).

Entre os produtos que mais geraram reclamações estão celulares (10,22%), tênis (6,35%), cartões de crédito (4,28%), TV (3,9%) e componentes, peças e acessórios (3,78%).

10 empresas que mais receberam reclamações até agora:

1. McDonalds – 323 reclamações

2. Burger King – 293 reclamações

3. Méliuz – 292 reclamações

4. Americanas.com- Loja Online – 245 reclamações

5. KaBuM! – 170 reclamações

6. MercadoPago.com Representações – 166 reclamações

7. Carrefour – Loja online – 156 reclamações

8. Magazine Luiza – Loja Online – 156 reclamações

9. Casas Bahia – Loja Online – 153 reclamações

10. Ame Digital – 133 reclamações