Startup do setor aéreo, Flybondi já abocanhou 9% do mercado doméstico argentino
Flybondi/Divulgação
Startup do setor aéreo, Flybondi já abocanhou 9% do mercado doméstico argentino

O brasileiro ganhou novas alternativas para viajar de avião. Só nos últimos doze meses , quatro empresas low cost aterrissaram no Brasil: as chilenas Sky e JetSmart; a norueguesa Norwegian e a argentina Flybondi. Apesar do aumento das companhias aéreas, ainda há um caminho longo para que esse tipo de transporte seja popular no País.

Leia também: O que você precisa saber antes de viajar numa companhia low cost?

A maior dificuldade para as low costs decolarem por aqui é o desconhecimento dos viajantes brasileiros. A plataforma de busca de passagens Viajala realizou uma pesquisa com mais de 5 milhões de usuários brasileiros e descobriu que apenas 9,5% deles já tinham viajado por uma low cost e que 50,2% nem conheciam o conceito. E o que fazer para mudar essa imagem?

O sócio-fundador do Viajala, Josian Chevallier, explica que a chave é ter paciência. “Esse processo demanda um tempo de adaptação . O mesmo aconteceu em outros países latinos quando começaram a oferecer voos low cost, há anos, e hoje a população viajante desses locais já sabe o que esperar dessas companhias e está ciente dos prós e contras”, explica.

Infraestrutura local

Sky Airlines está entre as empresas low cost que chegaram ao Brasil
shutterstock
Sky Airlines está entre as empresas low cost que chegaram ao Brasil

Não é só com o desconhecimento de suas operações que as low costs sofrem no Brasil. De acordo com Ivan Sakr, diretor financeiro da Sky no Brasil, a falta de estrutura dos aeroportos é um desafio grande a ser enfrentado e pode emperrar, por exemplo, a entrada das low costs em voos domésticos .

No evento ele citou um exemplo. “Uma empresa que quer voar para São Paulo tem dificuldades. O Aeroporto de Congonhas , por exemplo, já opera na máxima capacidade, não há mais slots disponíveis. Optar pelo Aeroporto de Guarulhos significa pagar taxas altas, o que aumenta o custo da companhia e encarece a passagem”, justificou.

“A saída são novos aeroportos regionais , para que possam existir novas rotas”, afirma. E para fazer essas rotas serem competitivas e rentáveis é preciso um investimento maior do governo.

O executivo cita o exemplo do São Paulo para mostrar que não é tão difícil. Em abril deste ano, o estado reduziu o ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre querosene para aviação. Como “recompensa”, os aeroportos regionais de Araraquara e Guarujá devem receber mais voos até 2020.

Estratégia parecida também pode ocorrer em Salvador, Florianópolis e Campo Grande, cidades que, segundo Ivan, já sinalizaram reduzir o ICMS no combustível para atrair a operação das low costs .

Você viu?

Por que as companhias low cost escolheram o Brasil?

JetSmart é outra empresa low cost chilena que vai operar no Brasil
Divulgação
JetSmart é outra empresa low cost chilena que vai operar no Brasil

O conceito de companhias aéreas de baixo custo teve início nos Estados Unidos na década de 1980, e nos anos seguintes se expandiu para a Europa, onde também é bem consolidado.

Mas por que só chegou ao Brasil em 2019? A resposta está na abertura do governo . Em maio deste ano, a Medida Provisória nº 863/18, proposta pelo ex-presidente Michel Temer, foi aprovada no Senado e passou a vigorar no Brasil.

A MP aprovava 100% de capital estrangeiro em empresas de aviação sediadas no país (revogando o limite de 20% estabelecido anteriormente).

Além disso, em junho, o presidente Jair Bolsonaro vetou a gratuidade das bagagens nas aeronaves por meio da Lei 13.842/19, o que aumentou ainda mais o interesse das low costs, que cobram pelas bagagens dos passageiros.

Com esse cenário, foi fácil as empresas se mudarem para o país, por mais que nem tudo sejam flores por enquanto. O impacto da chegada dessas empresas foi o tema do Barômetro 2019 Viajala. Nele, especialistas debateram a entrada das low costs no mercado brasileiro, os impactos no preço das passagens aéreas e qual o futuro desse negócio.

É possível uma low cost 100% brasileira?

Webjet foi incorporada pela Gol
Agência Brasil
Webjet foi incorporada pela Gol

Em 2005 o Brasil assistiu ao aparecimento de sua primeira low cost: a Webjet , com sede no Rio de Janeiro. A empresa era uma low fare, companhia aérea de baixo custo que tem como objetivo oferecer bilhete mais barato que dos concorrentes.

Leia também: Por que tantas companhias aéreas enfrentam dificuldades no Brasil?

Porém, por falta de apoio a Webjet acabou sendo incorporada à Gol  e hoje tem um sistema um pouco diferente de low cost.

Para que a situação não se repita, os especialistas que estiveram no evento, entre eles Gustavo Murad, diretor de companhias aéreas da empresa de tecnologia Amadeus, ressaltaram que uma  low cost nacional precisaria de tres itens para se manter no mercado: organização, respaldo e investimento externo.

    Veja Também

    Mais Recentes

      Comentários