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Cerimônia de 300 dias de governo deve reunir parlamentares e integrantes do governo para anúncio das medidas voltadas à área econômica; conheça

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Tomaz Silva/Agência Brasil
Bolsonaro confirmou lançamento de programa voltado para a geração de empregos na próxima terça (5)

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) confirmou nesta sexta-feira (1º) que a cerimônia em comemoração aos 300 dias de seu mandato deverá ocorrer na próxima terça-feira (5), para que seja possível reunir o maior número de parlamentares. Ele adiantou que serão anunciadas medidas voltadas à geração de empregos e ao novo pacto federativo, mas ressaltou que não será anunciado um "pacote". 

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"Tá previsto, deve ser terça-feira, eu acho. Porque segunda-feira não tem parlamentar em Brasília. Deve levar uma nova proposta, se não me engano, do pacto federativo. Olha só, as coisas não são pacotes, né?", afirmou.

Bolsonaro ressaltou que as medidas a serem anunciadas visam a atingir sua meta de terminar seu mandato em 2022 com menos de 10 milhões desempregados. Hoje, o País ainda tem 12,5 milhões sem emprego.

O presidente adiantou que as medidas devem também tratar de bolsas de qualificação na área técnica para estudantes, a ser capitaneada pelos ministérios da Educação e da Ciência e Tecnologia e Comunicação. O objetivo é preparar novos técnicos para uma economia voltada à chamada indústria da quarta geração, baseada na Internet das Coisas (IoT, na sigla em inglês).

"É uma briga para não acabar. Agora, devemos carrear os recursos para uma questão técnica. Temos que investir na educação (para) que, na ponta da linha, o cidadão sai habilitado para exercer uma profissão. E você não consegue muitas profissões de uma hora para outra. Estamos aí na indústria 4G e para formar um elemento lá na ponta da linha é difícil. Tem emprego no Brasil que só consegue com mão de obra de fora do Brasil. É um descaso com a educação que tivemos ao longo de décadas, onde muitas escolas , muitas, não todas né, foram voltadas para o lado de doutrinar as pessoas para formar militante para defender a esquerda o tempo todo", disse Bolsonaro.

Confiança estrangeira no Brasil

Na conversa com os jornalistas, o presidente falou sobre outros temas da pauta econômica. Ele disse que gostaria que os R$ 10 bilhões de investimentos prometidos pelo governo da Arábia Saudita sejam investidos "em ferrovias para mudar o nosso modal de transporte".

"Pretendemos, quem sabe, fazer a saída pelo (oceano) Pacífico a partir do Acre e essa é uma ideia inicial. E tem muita coisa para ser investido", garantiu.

Bolsonaro destacou ainda o que chamou de volta na confiança estrangeira no país. Segundo ele, isso ficou evidente pelo interesse em torno de seus discursos na recente viagem a países da Ásia e do Oriente Médio, mas também pela queda na taxa básica de juros pelo Banco Central, a redução da inflação e a melhoria no risco Brasil que "está indo para o lado positivo".

Opep e cessão onerosa

O presidente destacou também a importância do megaleilão da cessão onerosa do pré-sal , previsto para a próxima quarta-feira, no Rio de Janeiro. Ele criticou os que são contrários ao leilão, defendeu a participação de empresas estrangeiras e afirmou que ele levará a uma grande injeção de recurso na economia.

"Alguns falam que não deveriam vender. Não adianta você ter petróleo embaixo da terra e não ter recurso. Por que arrebentaram com a Petrobras para explorar, tem que abrir para outros países, logicamente com acordo bem feito."

Bolsonaro lembrou também do convite para que o Brasil ingresse na Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep) e revelou que terá uma conversa na próxima semana com o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, para discutir o assunto. O ministro teria dito que o tema tem prós e contras, e que não pode ser decidido abruptamente.

"É um convite apenas, igual namoro né, quer namorar comigo, não quer, parte para outra, ou fica mandando rosas, né?", brincou o presidente na conversa.

Mais cedo, ao comentar a questão sobre a Opep, o ministro Paulo Guedes afirmou que 'promover desorganização social com choque de petróleo não é nosso cardápio '.

Qual será a nova prioridade?

Sobre as demais reformas a serem anunciadas na próxima semana, o presidente admite que há ainda divergências sobre as prioridades, mas deixou claro que prefere dar destaque à reforma administrativa . Segundo ele, haveria atritos entre os que defendem a reforma administrativa e os que querem a  reforma tributária .

 "Eu dou minha opinião, como chefe do Executivo, acho que administrativa [é a prioridade]. Como já tem proposta andando na Câmara, é a menos traumática", disse ele, admitindo que vai acatar o que for acordado entre o ministro da Economia, Paulo Guedes, e os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP).

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Já o novo pacto federativo está bem encaminhada, garantiu Bolsonaro: "Esse está praticamente certo, até interessa para governadores e prefeitos. Houve um atrito entre governadores e prefeitos, que é natural. Cada um quer uma parcela maior desse recurso. E nós devemos buscar o consenso. Para mim, o que o Parlamento decidir está bem decido até por que, como é Proposta de Emenda a Constituição, quem faz a a promulgação são eles", lembrou.