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Paola Carosella

A chef Paola Carosella , jurada do programa MasterChef , fez duras críticas a um hambúrguer vegetariano vendido por uma grande rede de fast foods e foi alvo de ataques nas redes sociais . Em setembro, ela postou no Twitter que tinha experimentado o sanduiche por curiosidade, mas se decepcionou.

“Experimentei por curiosidade o hambúrguer de plantas ‘sabor’ carne. Não é hambúrguer, não tem gosto de carne, nem textura de carne, o que é óbvio pois não é carne”, postou.

A argentina não poupou críticas ao lanche. “Gorduroso, pastoso, desagradável. Uma bosta ultraprocessada oportunista no momento de maior confusão alimentar da história”, disparou.

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Marina Teodoro/Brasil Econômico
A nova versão do Futuro Burger é focada em um sabor menos artificial e menos carboidratos e calorias

A famosa, então, fez uma sugestão. “Se você quer coisas sabor carne, coma carne. Se quer comer plantas, coma plantas com gosto de plantas. E se quer parar ou diminuir o consumo de carne, o universo vegetal é gigantesco. Não se deixe enganar”, aconselhou.

Para ela, alimentos vegetarianos não deveriam tentar copiar o sabor dos produtos com carne animal.

Os tuítes de Carosella foram visto por alguns como uma crítica ao vegetarianismo. Uma conta no Twitter chamou Paola de “idosa”, e disse ainda que não fica bem uma mulher como ela dizer palavras de baixo calão. Ela não gostou e respondeu:


Após a polêmica envolvendo Paola e alguns internautas, a culinarista Rita Lobo também se manifestou a respeito do assunto e defendeu a jurada do Masterchef.

“O legal dessa onda de produtos plant-based é que, por serem novos, fazem com que consumidores atentos enxerguem a mecânica da indústria de ultraprocessados. Caldos, biscoitos, refris estão aí há tanto tempo que muitos não conseguem mais diferenciá-los de comida de verdade”, escreveu Rita Lobo.

Apesar das desavenças, a realidade é que o mercado contrário às carnes cresce.  O Brasil hoje é o sexto no mundo com maior crescimento no número de vegetarianos. Segundo uma pesquisa do Ibope encomendada pela Sociedade Vegetariana Brasileira, esse grupo soma 16 milhões de pessoas.

Afinal, o que é o hambúrguer de planta?

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Foto: Divulgacao
O Pic Burger, do The Fifties, é feito de planta e tem o gosto próximo ao da picanha, mesmo sem ser de proteína animal

O tal hamburguer vegetariano foi criado nos Estados Unidos e por lá já são febre. A ideia do produto é imitar carne bovina em aparência, textura, aroma e sabor. O alimento é feito com feito de grão de bico, ervilha e beterraba, além do auxílio da tecnologia. 

A novidade já faz parte do portfólio brasileiro e pelo menos quatro empresas nacionais e, além da prateleira dos supermercados, também comercializam o produto.

A primeira empresa a vender o produto foi a startup Fazenda Futuro na rede Lanchonete da Cidade por R$ 29, acompanhado dos clássicos “queijo (vegano), alface e tomate”. A ideia da Fazenda Futuro é lançar carne moída e almôndega vegetais, que serão comercializadas em parceria com a rede Spoleto, especializada em comida italiana.

Leia também: Novo hambúrguer vegetal promete gosto de carne, será que funcionou? Nós testamos

A rede de supermercados Carrefour , uma das maiores do Brasil, também aproveitou a onda e em maio de 2019 também deu início a venda do produto. "Em breve (o produto) deve superar 10 mil unidades por mês”, disse Noël Prioux, presidente da operação brasileira do Carrefour, em entrevista à Época.

O concorrente Pão de Açúcar entrou no mercado há quatro meses. Em novembro, 30% dos hambúrgueres vendidos já são desse tipo.

Recentemente grandes redes de fast food como Bob's e Burger King passaram a incluir opções de lanches vegetarianos, provando que entrar na onda vegetal é uma tendência no ramo alimentício.

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Foto: Divulgação
Hambúrguer da Seara também só tem componentes vegetais

As marcas Sadia e Perdigão também já pensam no futuro e o objetivo é ampliar o mercado e não só ficar no hamburguer. As empresas querem transformar a carne de pratos prontos, como pizzas e lasanhas congeladas, em alimentos que possam atender à nova demanda por carne feita a partir de plantas.

De acordo com a consultoria Euromonitor, a estimativa das vendas de janeiro a dezembro da categoria “substitutos da carne” somarão R$ 120 milhões.

Um outro levantamento divulgado em outubro pela consultoria global Nielsen aponta que 42% dos 30 mil brasileiros entrevistados pela Internet mudaram o hábito alimentar para reduzir o impacto no meio ambiente.

Apesar da novidade no Brasil, a transformação do mercado da carne já é uma realidade no exterior. Um dos eventos mais importantes do ramo alimentício do mundo é a Anuga, um feira gigante. Ela foi realizada em setembro na Alemanha e 253 empresas expositoras ofereceram carne a partir de extratos de vegetais. Em 2017, elas eram apenas 69.

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