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Bancos abertos neste sábado têm movimentação tranquila

Governo quer aquecer economia com liberação do FGTS arrow-options
Gabriel Guedes/Brasil Econômico
Governo quer aquecer economia com liberação

RIO — Os clientes interessados no  saque emergencial do  Fundo de Garantia do Tempo de Serviço  ( FGTS ) encontraram os bancos vazios neste sábado chuvoso no Rio. Para atender o público, a  Caixa Econômica Federal decidiu abrir, extraordinariamente, todas as suas agências na cidade, com esquema especial definido de acordo com o volume de depósitos em cada uma delas. Porém, o clima foi de tranquilidade.

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"A gente se preparou para a guerra. Se viesse uma multidão, estávamos prontos para atender todo mundo", comentou o superintendente regional da Caixa para a Zona Norte do Rio, Cláudio Martins, especulando que o baixo movimento se deva ao nível de informação dos clientes. "Não aparece gente querendo se informar se tem ou não direito ao saque. Todo mundo já sabe, acompanha tudo pelo aplicativo ."

A reportagem do GLOBO percorreu cinco agências na parte da manhã, espalhadas por três bairros. Em todas, com exceção de uma em Bonsucesso, era possível contar nos dedos o número de clientes. Segundo Martins, apenas em Bonsucesso, Bangu e Queimados houve bastante procura por saques do FGTS e informações sobre o programa do governo federal de incentivo ao consumo.

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Leonardo Ferreira esteve numa agência da Caixa em Bonsucesso, uma das mais movimentadas da cidade neste sábado

Leonardo Ferreira, de 32 anos, que trabalha há dez anos numa empresa de montagem industrial, usou o telefone para se assegurar que tinha direito a receber R$ 500 do seu FGTS, e foi neste sábado a uma agência em Bonsucesso para efetuar o saque. Mas em vez de gastar com compras, como esperava o governo, ele vai usar o dinheiro para pagar dívidas com o IPVA .

"Esse dinheiro dá uma ajuda a quem estava com dívidas, como eu, mas podia ser uma quantia maior", reclamou Ferreira.

O garçom Antônio Bezerra Mourão, de 54 anos, fez críticas ao programa do governo, mas, como tem direito ao saque, vai usar o dinheiro para quitar dívidas e pagar contas.

A calculadora usa como base o saldo do trabalhador na data da simulação. O valor ficará sujeito a novos depósitos mensais, que serão feitos pelo empregador até a data do saque, e à correção de 3% mais Taxa Referencial (TR) ao ano.

 "Eu não queria que o dinheiro fosse retirado do meu FGTS, mas o depósito é automático", criticou Mourão, cearense de Nova Russas que se mudou para o Rio quando tinha 19 anos e trabalha, desde então, num restaurante árabe. "O Michel Temer tentou e não deu em nada. Está todo mundo desempregado."

Por causa do baixo valor a que tinha direito, Rogério Volponi, de 48 anos, foi a uma agência neste sábado para conferir o depósito, mas não fez saques: preferiu deixar o dinheiro na conta para gastos do dia a dia. Trabalhador informal há três anos, Volponi tinha uma pequena quantia numa conta inativa do FGTS, referente a um breve período que trabalhou com carteira assinada.

"Se eu coloco o dinheiro no bolso, não durava uma semana", brincou Volponi. "A gente vive uma recessão. Essa medida é paliativa , não vai movimentar muito a economia. O consumo não vai voltar ao nível que a gente via há alguns anos."

Os saques emergenciais do FGTS, limitados a R$ 500 por cada conta vinculada no fundo, começaram nesta sexta-feira. Nesta primeira leva, apenas pessoas nascidas entre janeiro e abril, com poupança ou conta-corrente na Caixa, estão aptos a receber.