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Ministro teria prometido entregar sinais concretos de recuperação econômica até julho de 2020 e, para isso, conta com a ajuda do presidente

Paulo Guedes, ministro da Economia arrow-options
MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL
O ministro da Economia, Paulo Guedes, demitiu Marcos Cintra na última quarta-feira (11)

A demissão do secretário especial da Receita Federal , Marcos Cintra, após a polêmica envolvendo a "nova CPMF " acendeu o alerta na equipe econômica do ministro Paulo Guedes. Teme-se que o movimento sinalize um afrouxamento do compromisso do presidente Jair Bolsonaro com a agenda de reformas e ajuste fiscal, que abragem medidas impopulares.

Segundo interlocutores, Bolsonaro havia acertado com Guedes apoiar sem restrições uma agenda austera e liberal até julho de 2020. Mas há pressões de ministros e políticos por aumento de gastos e investimentos. A atitude do presidente em relação a Cintra sinalizou que esse compromisso poderia ser rompido por Bolsonaro antes do prazo estabelecido.

Ao mesmo tempo, a equipe econômica já busca substitutos para Cintra e opções para viabilizar uma reforma tributária que inclua a desoneração da folha de pagamentos. Uma das alternativas é cobrar Imposto de Renda sobre dividendos.

Demissão de Cintra

O ex-secretário da Receita Marcos Cintra foi demitido na quarta-feira (11) por Paulo Guedes . Cintra era um ferrenho defensor da criação de um novo imposto nos moldes da antiga CPMF. A divulgação precipitada de como esse novo tributo funcionaria, na véspera, teria causado mal-estar no governo, pois os dados ainda estão em estudo.

Leia também: Entenda como funciona a CPMF e saiba por que tributo derrubou Marcos Cintra

O episódio foi a gota d’água de um longo processo de desgaste sofrido por Cintra há meses. Segundo Bolsonaro, que resiste ao tributo, a demissão do secretário se deu por conta da defesa do tema.