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Governo terá que voltar a pedir dinheiro extra ao Congresso para fazer pagamentos; orçamento de 2020 tem dois terços dos valores necessários

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Alan Santos/PR
Governo de Jair Bolsonaro vai precisar de liberação do Congresso para conseguir dinheiro extra para pagar Bolsa Família e aposentadorias em 2020

O governo voltará a pedir dinheiro extra ao Congresso para pagar aposentadorias, salários de servidores ativos e inativos e o Bolsa Família, assim como teve que fazer neste ano. O Orçamento de 2020 só tem recursos para arcar com cerca de dois terços dessas despesas. 

Para quitar tudo o que está programado para o ano que vem, o governo Jair Bolsonaro  precisará de uma autorização do Legislativo para aumentar a dívida pública.

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Sem esse aval ou sem interromper o pagamento desses benefícios, o presidente que for eleito descumprirá um dos pilares do equilíbrios das contas públicas : a chamada regra de ouro. Os dados compõem o primeiro Orçamento elaborado por Bolsonaro, apresentado nesta sexta-feira (30). 

A regra de ouro diz que a União não pode se endividar para pagar as contas do dia a dia. Dívida tem de ser feita apenas para fazer investimentos . No entanto, o Brasil não tem mais recursos para bancar essas despesas sem pegar novos empréstimos ou emitir títulos.

Assim, Bolsonaro terá de pedir uma autorização para lançar dívidas de R$ 367 bilhões. No ano passado, era preciso R$ 258,2 bilhões para pagar essa conta.

No próximo ano, a maior parte será usada para bancar os benefícios previdenciários : R$ 156,5 bilhões. O gasto total no ano com as aposentadorias está previsto em R$ 682,6 bilhões.

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No caso do salário dos servidores, o orçamento total para 2020 é de R$ 336,6 bilhões. Não há previsão de receitas para um terço desse valor. Ou seja, o governo terá de pedir uma autorização para emitir R$ 104,6 bilhões em dívidas só para garantir o pagamento dos salários.

De um orçamento de R$ 30 bilhões para o Bolsa Família , R$ 9 bilhões também dependerão de autorização do Congresso.