Tamanho do texto

Presidente trocou farpas com Rui Costa, da Bahia, e Flávio Dino, do Maranhão, durante o recesso; ministro diz que assunto está 'superado'

O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, minimizou nesta terça-feira (6) a chance de os  atritos recentes do presidente Jair Bolsonaro com governadores do Nordeste atrapalharem a aprovação, em segundo turno, da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados.

Bolsonaro sério arrow-options
Marcos Corrêa/PR - 1.8.19
Presidente Jair Bolsonaro foi flagrado chamando os governadores do Nordeste de "paraíba" e ainda dizendo que o "pior é o do Maranhão"

O ministro participou de uma reunião com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e o secretário especial da Previdência , Rogério Marinho. Líderes partidários, como Baleia Rossi (MDB), também estavam presentes.

Durante o recesso parlamentar, Bolsonaro entrou em choque com o governador da Bahia, Rui Costa (PT), por conta do evento de inauguração do aeroporto de Vitória da Conquista. Depois, antes de um café da manhã com jornalistas estrangeiros, foi flagrado por uma câmera dizendo a Onyx que “daqueles governadores 'de paraíba', o pior é o do Maranhão”, em referência a Flávio Dino (PCdoB). A declaração gerou uma carta de repúdio do governadores da região.

Tanto Costa quanto Dino integram partidos que já votaram contra a reforma da Previdência em primeiro turno, mas tem em suas bases de apoio partidos que apoiaram o projeto – caso do PSD, aliado do PT na Bahia.

Leia também: Declarações de Bolsonaro não atrapalham reformas, diz presidente do Itaú

"Acho que isso [atrito com governadores do Nordeste ] foi suficientemente explicado. É episódio absolutamente superado. Claro, há alguns governadores de oposição que tentam tirar o máximo que podem desse episódio. Mas nós estamos muito tranquilos. A gente tem a certeza que parlamentares demonstração amor ao Brasil no momento em que muitos abriram mão, inclusive, de sua bandeira partidária", disse Onyx, em uma referência indireta a deputados que contrariam as orientações de suas bancadas e votaram a favor da reforma, como aconteceu no PDT e no PSB.

O ministro evitou dizer se há algum destaque que deverá ser apresentado pela oposição que preocupe mais o governo. Nesta fase, não há possibilidade de ser aprovado algum acréscimo ao texto, mas itens que retirem partes do projeto, os chamados destaques supressivos, podem ser analisados. A oposição planeja levar a plenário entre 7 e 9 propostas deste tipo, como as que alteram as regras aprovadas para a pensão por morte.

Onyx estima uma votação semelhante à do primeiro turno, quando 379 deputados endossaram a proposta. Segundo ele, é possível que haja “um ou dois” votos a menos. O ministro voltou a dizer que o governo espera que a análise na Câmara termine na quarta-feira (7).

"Queremos, se possível, aprovar até o início da noite de amanhã. Sabemos que a oposição deve apresentar uma série de destaques e precisamos construir estratégia para enfrentar isso. Precisamos organizar a estrutura partidária que dá apoio ao Brasil na nova Previdência para vencer os obstáculos regimentais que vão ser colocados", afirmou Onyx.

No início da sessão desta terça, o governo quer votar um requerimento de quebra de interstício, o que permitirá a votação em segundo turno sem o intervalo de cinco sessões desde a primeira votação, o que é estabelecido no regimento. A expectativa é que a votação comece depois das 20h e vá até o início da madrugada. O governo espera concluir a análise até a noite de quarta.