Tamanho do texto

De acordo com o IBGE, a série de recordes da informalidade nos últimos anos afeta de forma ainda mais intensa o interior do País, ou seja, a grande parte dos municípios; rendimento do trabalhador cai fora dos grandes centros

trabalho informal arrow-options
Tânia Rêgo/Agência Brasil
Trabalho informal cresce nas regiões de interior do Brasil, de acordo com o IBGE

O trabalho informal no Brasil, que atingiu seu maior número da história neste ano, sendo, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a principal forma de renda de 11,4 milhões de brasileiros em maio, se alastra de forma ainda mais intensa longe dos grandes centros do País.

Leia também: Saiba como receber o abono do PIS/Pasep que começa a ser pago nesta quinta-feira

Segundo pesquisa do próprio IBGE com microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) do primeiro trimestre deste ano, há uma relação inversa entre desemprego e informalidade no Brasil. O instituto revela que, enquanto as capitais e metrópoles tem mais desempregados, as regiões consideradas como interior (todas as cidades que não fazem parte de regiões metropolitanas e as capitais) veem o trabalho sem carteira assinada saltar.

A taxa de desemprego registrada no trimestre abordado pela pesquisa, de 12,7%, só é maior em 10 regiões de interior em relação ao índice nacional. Em 18 estados brasileiros, o desemprego sobe na capital ou região metropolitana.

Confira a relação interior x capitais no gráfico a seguir


Segundo o estudo, a  renda média dos trabalhadores fora dos grandes centros é 18% menor do que a de quem trabalha em alguma região metropolitana do País, o que tem relação direta com a alta da informalidade, setor da economia que paga menos, na maior parte dos casos. Enquanto os trabalhadores das regiões metropolitanas e capitais recebem em média R$ 2.422 mensais, os do interior ganham R$ 1.987.

Os menores ganhos mensais se concentraram no interior das regiões Norte e Nordeste, sendo o mais baixo no Amazonas, com rendimento médio de R$ 1.016. As regiões de interior com os maiores rendimentos estão nos estados de São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, todos acima de R$ 2.000.

Em todos os estados brasileiros, o rendimento médio do trabalhador sobe na capital em relação ao índice registrado na própria unidade federativa. No Espírito Santo, por exemplo, enquanto a média salarial é de R$ 2.175 no estado, na capital Vitória o valor sobe para R$ 4.653, ou seja, mais que o dobro. Na relação estado x interior, todos os estados também tem renda superior, puxada pelas capitais e regiões metropolitanas.

Leia também: Brasil cria 408 mil vagas de emprego no 1º semestre, melhor resultado em 5 anos

Somente em dois estados, São Paulo e Santa Catarina, a informalidade é maior nas regiões metropolitanas do que no interior. O estudo separa capitais e regiões metropolitanas tendo em vista que cinco estados não têm metrópoles: Acre, Rondônia, Roraima e Mato Grosso do Sul.