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Levantamento usa dados da pesquisa Pnad Contínua do primeiro trimestre deste ano e aponta relação inversa entre desemprego e informalidade nas capitais e regiões metropolitanas e interior dos estados. Confira exemplos

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Aaron Favila/Agência Pública
Desemprego é maior nos grandes centros, mas informalida cresce no interior do País, segundo IBGE

O desemprego é menor nos municípios do interior do país, mas quase dois terços trabalham na informalidade, enquanto nas regiões metropolitanas apenas um terço dos ocupados não têm carteira assinada. Os dados são de levantamento inédito feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado nesta quarta-feira (24), a partir de dados da pesquisa Pnad Contínua, que analisa o primeiro trimestre deste ano.

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Segundo o estudo, a renda média dos trabalhadores fora dos grandes centros é 18% menor do que a de quem trabalha em alguma região metropolitana do País. Para chegar a esse recorte territorial, o interior foi considerado como todos os municípios do estado, excluída a região metropolitana , quando existir, e a capital. Somente quatro regiões de interior tiveram desemprego maior que o índice de sua capital ou região metropolitana: Rio Grande do Norte, Alagoas, Mato Grosso do Sul e Goiás.

A informalidade no interior é maior que nas regiões metropolitanas, à exceção dos estados de São Paulo e Santa Catarina. Quanto à proporção dessa população, o país tem 13 estados com pelo menos metade de seus trabalhadores do interior trabalhando sem carteira assinada . Todos esses locais estão nas regiões Norte e Nordeste, sendo que o interior do Amazonas tem o maior percentual, com 71,7% de informais. Já o interior de Santa Catarina tem a menor taxa, com 19,4% de seus ocupados na informalidade.

O diretor-adjunto de Pesquisas do IBGE e especialista em trabalho e rendimento, Cimar Azeredo, ressalta a necessidade de se identificar as diferenças entre os mercados de trabalho do interior e das regiões centrais para o planejamento de políticas públicas e a relevância desse tema na agenda internacional. Ele disse que essas diferenças de qualidade do emprego refletem a concentração de indústrias, setor que mais emprega com carteira, nos grandes centros e um interior ainda bastante dependente da agricultura, onde a informalidade historicamente é alta. 

"A indústria, apesar de ter sido um dos grupamentos que mais sentiu a crise econômica, continua sendo um dos mais formalizados. Além disso, as grandes atividades industriais demandam, ao longo da sua cadeia produtiva, a prestação dos mais diversos tipos de serviços, inclusive especializados, com elevados níveis de remuneração, o que propicia a geração de emprego e renda também no setor terciário", explica Cimar.

Enquanto os trabalhadores das regiões metropolitanas recebem em média R$ 2.422 mensais, os do interior ganham R$ 1.987, reflexo da alta informalidade, setor da economia em que se recebem salários menores, na maior parte dos casos, como pontua o IBGE.

No Espírito Santo, por exemplo, ao passo que um trabalhador do interior recebia R$ 1.725, um da capital ganhava R$ 4.653, a maior diferença encontrada no Brasil, de RS 2.928. Já Rondônia teve a menor diferença, de R$ 514, onde o rendimento médio do interior foi de R$ 1.736, contra R$ 2.250 em Porto Velho.

Os menores ganhos mensais se concentraram no interior das regiões Norte e Nordeste, sendo o mais baixo no Amazonas, com rendimento médio de R$ 1.016. As regiões de interior com os maiores rendimentos estão nos estados de São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, todos acima de R$ 2.000.

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"Essa relação é nociva ao trabalhador pela ausência dos benefícios e por representar redução significativa na arrecadação do governo e na produtividade da economia, mas a informalidade também propicia outras distorções. Ela afetará a população de forma geral, mas vai se apresentar de forma mais perversa para a população dos estratos de renda mais baixo, para as mulheres, a população preta ou parda e os menos escolarizados", conclui o diretor-ajunto do IBGE.